O comércio central de Londrina ficará aberto hoje até as 18 horas. O funcionamento das lojas é garantido em função do Dia dos Namorados (celebrado nesta segunda-feira), uma vez que o Código de Posturas do Município autoriza o atendimento em vésperas de datas comemorativas, mas proíbe o trabalho aos domingos. Pelo acordo firmado entre os sindicatos patronal e dos empregados, a remuneração de horas-extras não será obrigatória porque haverá compensação de trabalho nos dois dias de jogos da seleção brasileira na Copa do Mundo.
O acordo é válido para os 26 municípios da área de abrangência do Sindicato dos Empregados no Comércio. Desta forma, nos próximos dias 13 e 22, quando a seleção nacional entra em campo, o comércio irá atender apenas das 8 às 14 horas. O trabalho do primeiro sábado do mês, dia 3, também não precisará mais ser remunerado. Um acordo firmado na semana passada garantia o pagamento de 60% de horas-extras, mas esse adicional foi trocado pela folga nos dias de jogo.
''Recebemos mais de 800 ligações dos comerciários pedindo a negociação para os dias de jogos da Copa'', justificou José Lima do Nascimento, presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio. No entanto, ele lembra que nos próximos dias 15 e 23, feriados de Corpus Christi e do padroeiro municipal Sagrado Coração de Jesus respectivamente, o comércio irá permanecer fechado. Esse acordo não será aplicado aos supermercados. Como esses estabelecimentos têm autorização para funcionar das 8 às 22 horas, portanto, cada supermercado deve estabelecer seu horário de atendimento durante os jogos da seleção brasileira.
Convenção - Ainda não houve acordo entre os dois sindicatos para fechamento da Convenção Coletiva de Trabalho, que perdeu a validade no dia 1º de maio (data-base dos comerciários). Os empregados querem 10% de reajuste no piso da categoria que é de R$ 450 para os comissionados e R$ 410 para os que não recebem comissão ou exercem funções administrativas. ''Já tivemos uma rodada de negociação, mas o patronal não chegou nem na metade do nosso pedido'', afirmou Lima. Ele ainda disse que o piso dos iniciantes, antes estipulado em um salário mínimo federal (R$ 350) foi automaticamente reajustado com a instituição do salário mínimo regional (a categoria se enquadra na faixa dos R$ 429,12).
''Agora os comerciários efetivados querem manter o padrão com o mínimo regional. Os salários não podem ser tão próximos, é um fato amoral e não temos como justificar uma remuneração menor a eles'', argumentou. Já o assessor jurídico do Sindicato do Comércio Varejista (Sincoval), João Vicente Capobiango, informou que os empresários chegaram a propor 7% de reajuste para os comerciários, mas que a proposta não foi aceita. ''A nossa primeira proposta era de 3,34% (o índice da inflação do período) mais 1%. Depois, em nova reunião, com a categoria conseguimos chegar ao índice de 7%, que também não foi aceito'', comentou.
Segundo ele, na próxima semana, será convocada uma nova assembléia com os empresários para discutir novamente o índice de reajuste. ''O fato é que o salário mínimo regional deteriorou, explodiu as mínimas condições de negociação. Para sair um acordo os comerciantes estão tendo que ter muita boa vontade. Os comerciários querem 43% de reajuste, que é a diferença entre o mínimo federal e o salário regional. As negociações estão sem qualquer parâmetro'', afirmou.
O mínimo regional também está atrapalhando as negociações entre o sindicato patronal e o dos funcionários de shoppings centers. O piso desta categoria é de R$ 460, mas há o trabalho aos domingos e feriados, diferente do que ocorre com o comércio do centro. ''Acredito que iremos chegar a um acordo sobre o piso. O problema está ocorrendo com o porcentual de reajuste para os funcionários que recebem acima do piso'', explicou Capobiango.

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