Comércio breca elevação de preços
PUBLICAÇÃO
domingo, 18 de abril de 1999
Agência Estado 
O Índice de Preços do Varejo, medido pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FCESP), mostra sensível desaceleração da alta de preços. O índice quadrissemanal passou de 1,65% para 1,01%, uma variação para baixo de 1,11% do índice semanal. Já o índice ponta a ponta registrou queda de 0,96%, resultado que demonstra o enfraquecimento da inflação. Sondagem feita pela entidade revelou um surpreendente otimismo, 69% dos consultados admitiram que o faturamento ficou melhor ou igual ao da semana anterior. Mas 81% admitiram que isso se deveu a promoções.
A queda mais importante da semana foi a dos preços dos produtos semiduráveis, -0,37%. Esse dado surpreendeu os economistas da FCESP. Segundo Fábio Pina, do Departamento Técnico da entidade, o que se esperava do índice dos semiduráveis, era que continuasse pressionado como na apuração do IPV da semana anterior, quando foi registrada uma alta de 4,35%.
No mês de abril, o segmento de semiduráveis acumula uma alta de 0,83%. As variações foram de mais 1,52% para os preços do vestuário, mais 0,09 nos preços dos calçados e queda de 0,87% nos preços dos tecidos. Até as tradicionais remarcações de mudança de estação perderam força, em confronto com as condições objetivas de um mercado deprimido, diz Pina.
No segmento de bens duráveis, os preços dos veículos novos caíram 0,76% na quadrissemana e 0,29% no ponta a ponta, com variação negativa também na semana, -0,94%. Na apuração da semana anterior os três índices já tinham sido sistematicamente negativos. O comportamento do preço dos carros no acumulado de abril mostra ser consistente com o acordo entre as montadoras e o governo, que permitiu a venda de carros com menor carga de impostos.
A pesquisa também mostra que as concessionárias não se limitaram a cancelar os descontos sobre os preços de tabela que eram praticados antes do acordo, mas, pelo contrário, continuam oferecendo novos descontos com a finalidade de incrementar negócios. A redução dos preços dos carros, inclusive, alcança o índice anual de 0,26%, na comparação entre abril deste ano e o mesmo mês do ano passado.
Fora das limitações do acordo automotivo as autopeças exibem vigorosos aumentos de preços, diz Pina. Desde o começo do Plano Real as autopeças acumulam um aumento de 99,73% que, na comparação com os preços dos carros novos, 2,88%, formam um surpreendente contraste. No ano, os preços das autopeças acumulam alta de 10,89%, enquanto os dos carros novos estão em queda de 0,62%. Daí as queixas das montadoras, explicam os economistas da FCESP.
Segundo Pina, dificilmente as montadoras conseguirão absorver essas altas de preços se o acordo com o governo e os trabalhadores for interrompido. Acumulados, os aumentos de preços podem chegar a cerca de 20% a 25%.


