O Dia das Crianças não foi o bastante para que as vendas do comércio em outubro deste ano fossem melhores em Londrina do que as de setembro, com queda de 5,62%. No acumulado do ano, a retração é de 9,58% e apenas as farmácias acumulam alta na cidade, com 2,98%, na comparação com janeiro a outubro de 2014, o que mostra que o ano deve ser de baixa, ainda que analistas considerem que o Natal sempre dá fôlego ao setor e que pode representar um represamento do consumo.
Os números são da Pesquisa Conjuntural de outubro divulgada ontem pela Federação do Comércio do Estado do Paraná (Fecomércio-PR), que analisa os dados fiscais de empresas em todo o Estado, por amostragem. No comparativo com outubro do ano passado, a retração foi ainda maior, de 19,45%.
Por regiões, Londrina tem o segundo pior resultado de vendas no acumulado do ano do Estado. A liderança é do Litoral, com queda de 14,82%. À frente dos lojistas londrinenses aparecem os da Região Metropolitana de Curitiba (-8,87%), do Sudoeste (-7,38%), da Região Oeste (-4,47%), de Ponta Grossa (-4,12%) e de Maringá (-1,83%). O índice médio no Paraná foi negativo em 7,69%.
A coordenadora de pesquisas da Fecomércio-PR, Priscila Andrade Takata, afirma que os resultados deste ano são tão ruins quanto os de 2008 e 2009, quando a economia estava sob efeito da crise mundial. "Está sendo assustador para o varejo, para o empresário e o consumidor também se sente assim pela notícias negativas, mas existe a perspectiva de melhorar até o Natal, época tradicionalmente mais aquecida", explica.
Ela lembra que algumas atividades chegaram a ter alta de 50% em 2014 na comparação de dezembro sobre sobre novembro e, ainda que acredite que tais índices não serão atingidos neste ano, espera crescimento nas vendas sobre novembro. No acumulado, diz que não será possível reverter a queda e prevê diminuição nas vendas em 8% no Estado.
Para o consultor econômico da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Marcos Rambalducci, todas as atividades apresentaram resultados ruins na cidade. "Estamos em uma região que depende de serviços e é mais suscetível à flutuação na economia, com uma resposta mais acentuada ao desaquecimento. Assim como ocorre no Litoral, forte no turismo, que também é serviço", diz.
A coordenadora de pesquisas da Fecomércio-PR lembra que o Estado tem características produtivas bem diferentes, o que justifica índices mais expressivos em alguns lugares. "Londrina é forte no agronegócio e as vendas de tratores e veículos pesados não foi boa neste ano. Mesmo assim, as concessionárias tiveram queda menor do que em outras regiões", explica, ao citar como causa a boa safra e a venda de automóveis.

Empregos

A quantidade de contratações de temporários no setor deve ser menor neste ano do que em 2014, dizem os analistas. O corte de vagas foi de 5,30% em outubro sobre setembro, em Londrina, mas deve ocorrer aumento em novembro. No ano, a redução foi de 1,89%, quase a mesma do Paraná, de 1,91%. "Por mais que as empresas digam que não vão contratar tanto, será preciso, porque é o melhor período de vendas do ano", completa Priscila.
Rambalducci lembra que houve diminuição nos estoques do varejo, o que reduz as perdas dos lojistas e justifica a maior animação neste período em relação aos últimos meses. "Acreditamos que teremos o mesmo faturamento de 2014, sem considerar a inflação de 10% que temos, mas que não será tão ruim assim", conta.

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