Comércio aposta
na Seleção para
aumentar vendas
Lucro com produtos feitos para a Copa depende do time de Zagallo
Carmem Murara
Ninguém mais do que os comerciantes e industriais torcem para que a Seleção Brasileira se saia bem nos primeiros jogos da Copa do Mundo da França, que começa no próximo dia 10. Do bom desempenho dos jogadores depende o aumento nas vendas dos produtos feitos especialmente para este período. São camisetas, adesivos, bonés, chaveiros e uma dezena de pequenas lembranças verde e amarelas que estão sendo lançadas no mercado a espera da patriótica clientela. Mas, por enquanto, as vendas em Curitiba ainda não corresponderam às expectativas do empresariado, apesar de ter tido um aumento na comercialização em relação ao início do ano.
‘‘Até agora só um pedido’’, lamenta a assistente do setor Administrativo da Masterprint Auto Colante Ltda, Alice Matsunaga. Especializada em confeccionar adesivos, a Masterprint acreditava que receberia entre os meses de abril e maio um número excessivo de pedidos de adesivos com motivos relacionados à Copa. Na Copa de 1994, os funcionários da empresa faziam hora extra até as 22 horas para conseguir vencer o excesso de trabalho. Neste ano, eles saem às 18 horas, quando encerra o expediente.
Como alternativa, o dono da empresa Araújo Krassusk passou a semana nos Estados do Nordeste em busca de clientes interessados em comprar etiquetas e selos em holografia para segurança de shows, produtos que nada têm a ver com o futebol da Seleção Canarinho.
No setor de confecção de camisetas a procura por encomendas é maior, mas ainda deixa a desejar, reclamam os empresários. A dona da fábrica de confecções Dellay Sport, Irene Dellay, diz que esperava ter um aumento muito superior aos 90% a mais de pedido que garante ter.
Mania ou não de reclamar, o fato é que a sua empresa, com sede em Campo Mourão, irá produzir quase 10 mil camisetas verde-amarelas neste mês, contra uma produção média de cinco mil no mês passado. ‘‘O problema é os pedidos vieram todos em cima da hora, porque os clientes não tem dinheiro para estocar mercadoria’’, explica Irene. Ela acreditava que a Copa teria uma produção maior desde março, o que não ocorreu.
A preocupação da microempresária, que tem 10 funcionários, é a inadimplência. ‘‘Se o Brasil perder, a mercadoria vai encalhar e aí a gente não recebe’’, afirma. Brincando ela diz que é hoje a ‘‘maior torcedora da Seleção Brasileira’’.
O dono da Toccafondi Indústria e Comércio de Artigos de Vestuário Ltda, Ronaldo Toccafundo, também se revela um torcedor inveterado da Seleção. A sua torcida tem segundas intenções. ‘‘Torcemos como brasileiros, mas também como comerciantes’’, brinca. Há 10 anos no mercado comercializando camisetas, a Toccafondi conseguiu produção máxima nas últimas semanas. Chegou até a recusar um pedido do Citibank, que queria mil camisetas num prazo inferior a três dias.
Entre os clientes da Toccafondi estão as gigantes Coca-Cola, Gerdau, McDonalds, Free Amazon. Muitas delas se previniram e encomendaram as camisetas da Copa antecipadamente. ‘‘O problema é que a maioria deixou para a última hora. Acho que o mercado está mais difícil por causa da recessão’’, afirma.

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