Depois de um período de previsões ruins para a economia brasileira, os ventos mudaram e estão trazendo otimismo ao mercado neste final de ano. A previsão é que as vendas de Natal pelo menos empatem com as do ano passado, considerado um dos melhores anos do Plano Real. Isto seria um verdadeiro ''presente de Papai Noel'' em um ano tão cheio de crises de energia elétrica, do dólar, da Argentina, dos Estados Unidos.

Até poucas semanas atrás, as previsões não animavam e retardaram os pedidos do comércio às indústrias. Mas hoje o cenário é outro. Às vésperas do melhor mês do ano para o comércio, o movimento começa a aumentar e o setor respira aliviado, acreditando que, na reta final, os números poderão surpreender.

A Associação Comercial do Paraná (ACP), sustentada em pesquisa realizada pela Confederação Nacional do Comércio (CNI), aposta em um final de ano gordo. A pesquisa aponta que 54% dos consumidores pretendem manter o nível de compras do ano passado e 19% querem gastar mais. ''Outros dados importantes da pesquisa mostram que os itens mais procurados serão roupas, sapatos, brinquedos e produtos da cesta natalina'', comenta Marcos Domakoski, presidente da ACP. Ele considera que não haverá queda nas vendas deste ano. ''Mantenho otimismo, mas com realismo'', observa, explicando que prefere não falar em aumento nas vendas.

O setor de móveis e eletrodomésticos também aposta em boas vendas. Para o gerente da loja do Catuaí Shopping Center do Magazine Luíza, em Londrina, Maurício Cubero, o setor chegou a pensar que os acontecimentos econômicos além fronteiras crise na Argentina, ataques terroristas, instabilidade cambial influenciariam negativamente as vendas aqui dentro. ''Mas há uma máxima no comércio de que quando temos um mês das Crianças bom o Natal não é ruim'', comenta Cubero. ''Este ano, tivemos um bom Dia das Crianças''.

Embora as notícias econômicas tenham assustado, a grande maioria das lojas chega em dezembro com os estoques superiores ou igual aos do ano passado. O Magazine Luíza aposta ainda numa parceria fechada com a Companhia Paranaense de Energia (Copel) para incrementar as vendas. A loja venceu a licitação para comercializar eletrodomésticos com selo Procel que garante economia de energia a preços inferiores aos do mercado. A diferença de preço entre o que é pago pelo consumidor e cobrado pela loja será coberto pela companhia de energia, diz o gerente. A expectativa, de fora geral, é que haja um crescimento de 10% a 15% nas vendas. ''Nós nos programamos para isso'', afirma Cubero.

As Lojas Dudony trabalham com previsões de vender 20% mais este ano. Os produtos mais disputados, na avaliação de Kazimierz Nowacki, gerente comercial da rede, deverão ser DVD e telefone celular. Ele informa que a Dudony começou a preparar os estoque para o final do ano em outubro e diz que a indústria está conseguindo atender aos pedidos, ''mas com alguma dificuldade nas linhas de áudio e vídeo''.

O cenário econômico, indicando retração, também não intimidou o setor supermercadista. Ademar Vedoato, diretor de compras da Rede de Supermercados Viscardi, diz que espera volume de vendas igual ao de 2000 e afirma que qualquer índice acima será muito positivo. Ele diz que as mudanças nos hábitos alimentares da população registrada de alguns anos para cá, somadas à alta do dólar, levaram o setor a repensar o seu mix de produtos. ''Estudamos muito o que colocar nas gôndolas. Mas o que ocorrerá este ano deve ser apenas substituição de produtos. Não acreditamos em queda de faturamento''.

Everton Muffato, diretor da rede Muffato, também aposta em novo perfil de consumo, mas não cogita queda de vendas. Dizendo-se otimista, ele espera aumento de 30% na demanda da linha sazonal (produtos natalinos) em relação a novembro e 10% em relação ao ano passado. ''Mesmo com todas as notícias econômicas desfavoráveis, nós nunca trabalhamos com a perspectiva de redução de compras,'' afirma. (Colaborou Erika Wandembruck, de Curitiba)

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