Comércio abre, mas divergências continuam
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sábado, 17 de julho de 2004
Alan Maschio<br>Reportagem Local 
Opiniões divididas sobre a eficácia da liminar que autoriza a flexibilização dos horários de funcionamento do comércio em Londrina. A reportagem da Folha saiu às ruas da cidade ontem para ouvir gerentes, comerciantes, vendedores e o consumidor sobre o assunto. Os favoráveis argumentam que abertura das lojas nas tardes de sábado e domingo trazem aumento de faturamento e atraem o consumidor de outras cidades. Por sua vez, os descontentes defendem a tese de que os trabalhadores têm prejuízos, perdendo dias de descanso junto com a família.
A liminar foi concedida na última quinta-feira pelo juiz substituto da 5 Vara Cível, Álvaro Rodrigues Júnior. Na prática, ela autoriza a abertura nos finais de semana das lojas de cerca de 1,4 mil filiados à Associação Comercial e Industrial de Londrina e Região (Acil), autora do mandato de segurança contra a Prefeitura. A Prefeitura respaldava-se no Código de Posturas do Município para proibir a flexibilização dos horários do comércio.
''A abertura nas tardes de sábado é compensatória para o comércio'', acredita Cláudio Pereira de Lima, gerente de uma loja de calçados do centro da cidade. ''Não saberia quantificar qual é o acréscimo, mas percebemos que o movimento nas tardes é bem maior que nas manhãs'', conta. ''Com a vantagem de que não corremos o risco de perder clientes para lojas de outras cidades.'' Lima acredita ainda que o faturamento possa ser ainda melhor, a partir do momento em que o consumidor desenvolver o hábito das compras nas tardes de sábado.
Do outro lado, o gerente de uma loja de confecções no Calçadão (Área Central), Antônio Verza, considera a decisão ''um absurdo''. Verza alega ainda que a Acil não consultou os comerciantes sobre o interesse na flexibilização dos horários. ''Tenho 10 vendedoras que têm filhos. Se as creches não funcionam nesses novos horários, como elas deverão fazer para trabalhar?'' argumenta.
O faturamento da loja da qual é responsável não aumenta com a abertura em muitos finais de semana seguidos, segundo ele. ''Se abríssemos somente nos dois primeiros sábados, a aumento nas vendas poderia chegar aos 10% mensais. Mas a abertura em mais de dois finais de semana já não acrescenta nada. Quando abrimos no sábado, a segunda-feira fica fraca'', diz.
O presidente da Acil, Augusto Rapchan, defende-se dizendo que foram realizadas pesquisas com os comerciantes, via telefone. ''Também realizamos várias reuniões na Acil e constatamos que 78% dos comerciantes são favoráveis à flexibilização do comércio'', conta.
Outro argumento do presidente da Acil é de que os comerciantes locais estariam perdendo espaço para as grandes lojas de departamentos, que mantêm as portas abertas nos finais de semana. ''Nos últimos três anos, a participação dos magazines no comércio local saltou de 10% para 40%. A abertura das lojas nos finais de semana pode ajudar os empresários da cidade a recuperar o espaço perdido'', concluiu.


