Depois de um acordo entre empresários e empregados, as lojas abrem hoje apostando no consumidor de última hora. O Natal deste ano não trouxe somente aumento de faturamento, mas acabou servindo também para reascender a polêmica sobre a abertura do comércio aos domingos. As instituições representativas e alguns empresários são favoráveis à medida enquanto outros dizem que o problema está no abandono da área central, que desestimula o consumidor a visitá-la.
Hoje, véspera de Natal, as lojas abrirão às 9 horas e encerrarão o expediente às 17 horas. Amanhã e terça-feira, o comércio estará fechado. Na quarta-feira volta o horário normal, das 8 horas às 18 horas. No sábado, o comércio abre às 9 horas e fecha às 13 horas.
O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Londrina (Sincoval), Sinésio Scudeler, afirma que com as lojas fechadas aos domingos, os comerciantes deixam de faturar perto de 10%, os consumidores ficam sem a opção de compra neste dia e os empregos, que poderiam ser gerados com a ampliação dos turnos, não se concretizam. ‘‘Várias outras cidades do porte de Londrina ou até menores, abriram todos os domingos de dezembro; isso é um atraso para a cidade’’, avalia.
Já a Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), é a favor da livre iniciativa. ‘‘Cada empresário conhece a melhor maneira de gerir o seu negócio’’, frisa o presidente da Acil, George Hiraiwa, que afirma ainda que a preocupação deve ser com a qualidade de vida dos trabalhadores. Ele acredita que a questão deve ser tratada juntamente com o poder público.
‘‘Londrina tem um código de postura da época em que se exigia certificado de datilografia’’, compara o gerente da Loja Riachuelo de Londrina, Antônio Sampaio de Andrade. De acordo com ele, a cidade está perdendo um espaço garantido para o consumo.
Caso a loja permanecesse aberta durante todos os domingos de dezembro, o gerente acredita que conseguiria aumentar o faturamento em 20%. Além disso, ele explica que o quadro de funcionários também poderia ser incrementado num percentual aproximado de 40%.
Andrade diz ainda que a não abertura do comércio aos domingos é um fator negativo para empresas que pretendem vir para Londrina. ‘‘O consumidor tem dinheiro e, com certeza, teria público aos domingos, só que os clientes estão impedidos de comprar’’.
Posicionamento contrário tem o empresário Rachid Zabian, do Plaza Magazin. ‘‘Precisamos de um Calçadão digno, limpo, bem iluminado e não de mais carga horária de atendimento’’, ressalta. O consumidor ‘‘precisa ser recebido com dignidade, o quê não existe quando se avalia as condições do banheiro público do Calçadão, por exemplo’’.
O empresário aponta o problema das barracas instaladas no local. ‘‘Esta é a cidade dos favores, acostumada com o sistema Belinati’’, numa referência ao ex-prefeito cassado, Antonio Belinati.
Brasílio Armando Fonseca, diretor da Sapeca Calçados, tem o mesmo posicionamento de que falta melhorias ao Calçadão. ‘‘O coração de Londrina está abandonado’’, resume.

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