Comércio aberto fomenta indústria do turismo
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terça-feira, 30 de maio de 2006
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
O funcionamento do comércio aos finais de semana é um dos vetores mais importantes de fomento ao turismo. A afirmação é de Aristides de La Plata Cury, coordenador nacional da Federação Brasileira de Convention & Visitors Bureau (FBC&VB). Ele esteve ontem de manhã na cidade para falar sobre a indústria do turismo de eventos. Em São Paulo, todo o comércio tem autorização para funcionar aos domingos e isso ocorre desde 1997. Em Londrina, nove anos depois, as discussões ainda estão focadas na abertura aos sábados à tarde.
As discussões para abertura do comércio paulista tiveram início em 92. Foram cinco anos de campanhas de conscientização. Inicialmente, o Convention Bureau de São Paulo se reuniu com a Federação do Comércio; depois, o alvo foram os vereadores, que aprovaram um projeto de autorização de funcionamento em todos os domingos anteriores às datas comemorativas; em seguida, houve o apoio da mídia, que viu na mudança uma oportunidade maior de faturamento. ''Os domingos sempre registraram boas vendas e contra fatos não há argumento'', afirmou Cury.
Depois desses anos, a entidade paulista conseguiu alterar a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) que, até então, proibia o trabalho aos domingos. Em outubro de 96, o governo federal modificou a CLT, mas deixou a prerrogativa com os municípios. A lei municipal foi alterada em janeiro de 97. ''A união de todos os setores privados foi fundamental. O Convention é o órgão catalizador da realização de eventos, mas traz benefícios a toda a sociedade'', afirmou o coordenador nacional da FBC&VB. Segundo ele, o funcionamento de todo o comércio em horário ampliado é um processo ''irreversível''.
Eventos - Dados do governo federal mostram que no ano passado o turismo de eventos movimentou R$ 32,7 bilhões. O setor ainda gerou 176 mil empregos diretos e outros 551 mil indiretos. Entre outros itens, os eventos são importantes porque ajudam no desenvolvimento e aproximação dos mercados produtores e consumidores; gera empregos e renda; movimentam 52 setores da economia local; e aumenta a arrecadação de impostos. A hotelaria brasileira é a maior compradora da indústria têxtil nacional, dos produtos eletroeletrônicos e das operadoras de TV a cabo.
''Os gastos médios diários dos turistas de eventos são superiores aos dos turistas de lazer porque parte das despesas do participante é bancada por uma pessoa jurídica. Por isso, as pessoas ficam mais tentadas a gastar mais, comprar lembranças para os familiares'', explica Cury. Além disso, há mais geração de impostos (porque o turista precisa da nota fiscal para ser ressarcido pela empresa) e ainda pode voltar em uma outra data com familiares ou amigos.


