Depois de três meses de negociações, comerciantes e comerciários chegaram a um consenso. Já foi acordado que o piso salarial dos trabalhadores terá reajuste de 11%, ficando em R$ 523; já os comissionados receberão 7,8% de aumento, enquanto o acréscimo salarial para os funcionários com rendimentos acima do piso será de 7%. A Convenção Coletiva de Trabalho, que ainda deverá ser assinada no início da próxima semana, é retroativa a maio e com validade até o dia 1º de maio do ano que vem (data-base da categoria).
Os comerciários são a maior categoria de trabalhadores de Londrina, formada por cerca de 14 mil pessoas. Na área de abrangência do Sindicato dos Empregados no Comércio (19 municípios), este número salta para 20 mil. A partir do acordo o piso salarial dos trabalhadores passará a R$ 523, enquanto os comissionados receberão R$ 560 (veja quadro). Os novos salários deverão ser incorporados aos vencimentos de agosto, que deverão ser pagos até o 5º dia útil de setembro. As diferenças percentuais referentes aos meses anteriores também devem ser pagas em uma única parcela junto com os salários de agosto.
''O acordo foi excelente para os comerciários e bom para os comerciantes. É uma forma de repassar aos empregados os bons meses passados pelo comércio'', comenta João Vicente Capobiango, advogado do Sindicato do Comércio Varejista de Londrina (Sincoval). Ele acrescenta, no entanto, que a convenção só não foi fechada antes devido à influência do piso regional. ''O governo deu 15% de reajuste sem qualquer parâmetro. E mesmo para os trabalhadores que terão 7% de aumento, o índice é bom porque é o dobro do INPC (índice oficial da inflação'', observa.
Capobiango acrescenta ainda que a comissão de negociação dos empresários acredita que os reajustes salariais voltarão para o próprio comércio porque irão ajudar a fomentar as vendas em um período em que está sendo anunciado o aumento da inflação. ''Privilegiamos, principalmente, o ganho real para os trabalhadores de menor renda para que eles mantenham sua posição de consumo'', comenta. Já o presidente do sindicato dos trabalhadores, José Lima do Nascimento, considera o acordo razoável. ''Não atendeu nossas pretensões (o pedido era 13,34% de reajuste), mas não foi de todo pior se levarmos em conta os ganhos das outras categorias, que não conseguiram isso'', afirma.
A Convenção Coletiva para os trabalhadores dos shoppings da cidade também está em negociação, mas não foi assinada. Na segunda-feira os empresários têm assembléia marcada para aprovar uma proposta e, em seguida, os trabalhadores serão convocados.

mockup