Arquivo FolhaAcordo difícilTercílio Turini, autor do projeto de lei: ‘‘Precisamos avançar’’O projeto de lei que propõe a flexibilização do horário de funcionamento do comércio de Londrina vai ficar por mais algum tempo na gaveta. Os empregados do setor varejista decidiram em assembléia ir contra ‘‘qualquer’’ movimento de mudança, alegando, primeiro, que a alteração não provocará aumento do volume de vendas - como defende a outra ala.
Presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Londrina, José Lima do Nascimento informa que dos 210 comerciários reunidos em assembléia, na última quarta-feira, 161 votaram contra qualquer mudança no trabalho. Não aceitam, portanto, a proposta do vereador Tercílio Luiz Turini, de permitir a abertura das lojas no segundo final de semana do mês que não conta com datas comemorativas - nas sextas até às 20 e aos sábados até às 18 horas. Tercílio Turini tem o apoio do Sindicato do Comércio Varejista e da Associação Comercial e Industrial (Acil).
Além de afirmar que uma mudança não significa aumento de vendas, os comerciários, segundo Nascimento, concluíram que aceitar a flexibilização é correr o risco de ‘‘pagar’’ para trabalhar. Referência à pouca liquidez no mercado, à queda das vendas e até à falta de caixa. Nascimento fala ainda que dos sete mil trabalhadores do setor varejista, 70% são mulheres - ‘‘que já fazem dupla jornada; em casa e no comércio’’ - e muitos ainda estudam.
‘‘Nossa preocupação é que a falta de vendas está diretamente ligada ao poder aquisitivo do consumidor’’. Nascimento explica: ‘‘Londrina tem muitas lojas e atrai muitas outras, mas não cria indústrias; então não gera renda para o trabalhador, que é consumidor. Dizer que a região compra em Londrina, é utópico. E quem tem dinheiro não precisa de horário especial para comprar’’.
Nascimento diz que já conversou com alguns vereadores e que agora vai pedir a eles (Tercílio Turini, especialmente) a inclusão do tema na Convenção Coletiva que a entidade coloca em pauta ainda neste mês. ‘‘Esse assunto deve ser discutido entre empregado e empregador; que cada um faça, então, a sua assembléia e depois discuta em conjunto’’. Os patrões também não querem mudanças, adianta. ‘‘Se fizerem uma pesquisa na área central, vão constatar que 80% dos empregadores, no mínimo, são contra.’’
O presidente do sindicato dos empregadores fala exatamente o oposto, mas não entra no mérito da questão. Prefere dizer que luta por isso desde 1988 (quando era presidente da Acil) e que ainda vai ‘‘convencê-los de que Londrina não pode permanecer por mais tempo como cidade provinciana.’’ Se já existem 456 lojas (shoppings) trabalhando em horário especial na cidade, por que essa discriminação? - pergunta Igarassu Louzada. ‘‘O absurdo é não querer trabalhar e impedir o trabalho dos outros.’’
Os empregadores também têm uma proposta de flexibilização, enviada aos empregados, à Acil, Câmara e Prefeitura. O calendário comercial/97 que a entidade elaborou reforça as seis semanas comemorativas (Páscoa, Mães, Namorados, Pais, Criança e Natal) e cria outras duas, as ‘Semanas do Consumidor’, em julho e novembro. Os horários sempre vão das 9 às 20 durante a semana e das 9 às 18 aos sábados. ‘‘Se não conseguirmos o horário livre, que é o ideal mas que está mais distante, ficamos com a flexibilização’’ - comenta Louzada.
O vereador Tercílio Turini, que esperava a realização da assembléia para direcionar o seu trabalho, diz que agora vai consultar a assessoria da Câmara e chamar a Acil para uma conversa. ‘‘Precisamos avançar’’, afirmou ontem por telefone - ele estava em Curitiba. O vereador acredita que na semana que vem terá uma resposta sobre a viabilidade ou não de colocar o projeto em discussão na Câmara.

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