Foz do Iguaçu –Comerciantes da Vila Portes, bairro próximo à Ponte da Amizade, em Foz do Iguaçu, temem o fechamento das lojas por causa da queda de 90% nas vendas ocasionada pela mudança no sistema de fiscalização de mercadorias. Uma comitiva se reúne amanhã em Ciudad del Este com representantes alfendegários do Brasil e do Paraguai para discutir o problema.
Desde 1º de março, as vistorias e desembaraços, antes feitos no lado brasileiro, passaram a ser executados no país vizinho. A criação de Área de Controle Integrado (ACI) dificultou a sonegação e obrigou o pagamento de impostos e taxas para atravessar produtos brasileiros para o Paraguai. O aumento de 20% a 50% dos tributos tirou a competividade dos produtos nacionais, afirma o empresário Ali Osman.
Segundo ele, cerca de 750 lojas do bairro sobrevivem das exportações e das vendas para paraguaios. ‘‘Os pequenos devem começar a quebrar em menos de um mês. Já os grandes não aguentam dois meses nessa situação. Hoje (ontem) só três carros com telhas cruzaram a fronteira’’, conta Osman, que é membro da Associação Comercial e Industrial de Foz do Iguaçu (Acifi).
O empresário defende a adoção de uma tabela de impostos para cada tipo de produto, pois, conforme ele, falta clareza na planilha dos tributos. Os itens mais comercializados na Vila Portes são alimentos, calçados, confecções, materiais de construção e móveis.
O comerciante do setor de vestuário Kamal Omaire diz sentir no bolso os prejuízos com a queda nas vendas. ‘‘Antes, perto de 30 paraguaios vinham todos dias. Agora, o movimento é zero. Nem as contas a prazo deles foram pagas’’, lamenta.
O delegado da Receita Federal, Mauro de Brito, argumenta que, num primeiro momento, houve redução drástica das vendas porque parte do comércio é desqualificado. ‘‘Nossa expectativa é incentivar o bom comércio’’, acrescenta. Na opinião do delegado, em breve o movimento deve se estabilizar em cerca de 60% do que era registrado antes da mudança no sistema de fiscalização na fronteira.

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