Desde que foram instalados no centro de Londrina, os parquímetros da Zona Azul facilitaram a vida dos motoristas que utilizam o sistema de estacionamento rotativo da cidade, já que não é mais necessário procurar por funcionários para comprar o bilhete. Porém, comerciantes da região reclamam que junto com a conveniência dos parquímetros surgiu uma demanda: a procura por moedas nos estabelecimentos. Segundo eles, o "troco" já era bastante escasso.
Proprietário de uma lanchonete na Rua Souza Naves, o comerciante Carlos Eduardo Chimentão relata que decidiu não aceitar mais pedidos de trocas de notas por moedas, tamanha é a quantidade de pedidos de motoristas que precisam de trocado. "As pessoas acabam achando ruim e acredito que, às vezes, até deixam de comprar aqui por causa disso, mas se eu não fizer isso fico sem troco para os clientes", explica. "Acho que essas moedas da Zona Azul deveriam retornar para o comércio", sugere.
Chimentão ressalta que sua maior dificuldade é conseguir moedas de valor maior, como R$ 1 ou R$ 0,50 e reclama que mesmo nos bancos o dinheiro trocado também não é totalmente acessível. "Tem que agendar com uns dois dias de antecedência e só permitem pegar, no mínimo, mil moedas. Acho injusto e acabo tendo que me virar com outros comerciantes e amigos".
Na papelaria do comerciante Claudenir Basques Fernandes, a procura dos motoristas por moedas também é constante. Ele conta com a ajuda de amigos para garantir o troco no caixa e não deixar a clientela insatisfeita. "Também trabalho com transporte escolar e meus colegas me ajudam juntando moedas e repassando para mim. Direto o pessoal pede trocado, até mesmo as meninas da Zona Azul, e nos bancos é difícil conseguir". Ele também destaca que muitos consumidores estão evitando utilizar moedas em suas compras, para não comprometer "o troco da Zona Azul".
Usuário quase que diário do sistema, o bancário Irineu Vieira, afirma que buscar moedas para o parquímetro não é fácil, por isso sempre mantém uma reserva no bolso. "Quando tem que trocar, é muito difícil conseguir fazer isso no comércio, por isso sempre tenho umas moedinhas". Já o empresário Sérgio Silvestre conta que geralmente não precisa correr atrás de troco nem andar com moedas nos bolsos para estacionar o carro no centro. "Só uso o cartão da Zona Azul".
Esta é a principal recomendação do coordenador do estacionamento rotativo da cidade, Wellington Marcati, para os motoristas. Ele diz não compartilhar da ideia de que a presença de parquímetros tenha influenciado de maneira expressiva na disponibilidade de moedas no comércio. "Até porque a maior parte dos pagamentos da Zona Azul é feita pelo cartão, cerca de 60%".
Marcati ainda afirma que há um planejamento para que as moedas nos parquímetros retornem ao comércio, embora destaque que não pode dar detalhes sobre isso, "por uma questão de segurança". Para não depender de trocados ele sugere que os motoristas comprem o cartão com os agentes da Zona Azul, que custa R$ 10 e já vem com R$ 6 de créditos e depois é só ir comprando créditos.
Por meio da assessoria de imprensa, o Banco Central explica que não tem uma norma que defina valores mínimos para troca de dinheiro nas instituições financeiras e que qualquer pessoa pode buscar o valor que achar necessário. Por outro lado a entidade informa que, por organização logística, algumas agências acabam adotando o agendamento e a limitação de valores diários, o que também não é proibido. Por isso aqueles que se sentirem lesados podem entrar em contato com o Banco Central através do telefone 0800-9792345.

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