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Comerciantes pedem resolução a impasse da duplicação da Duque de Caxias

Diante das incertezas sobre o futuro da avenida, empresários temem fazer investimentos na região e deixam imóveis vazios

Mie Francine Chiba - Grupo Folha
Mie Francine Chiba - Grupo Folha

Descontentes há tempos com a situação da via, comerciantes da Av. Duque de Caixas, na região central de Londrina, pedem que o projeto de duplicação da avenida seja excluído de uma vez por todas dos projetos da prefeitura. Com a insegurança da duplicação, que exigiria que mais de 70 imóveis fossem desapropriados, comerciantes têm medo de realizar novos investimentos na região, deixando a avenida, que era uma das principais vias comerciais da cidade, abandonada.


 

Comerciantes pedem resolução a impasse da duplicação da Duque de Caxias
Gustavo Carneiro
 


Essa é uma das reivindicações do Núcleo da Av. Duque de Caxias, composto por comerciantes do trecho entre a rua Benjamin Constant e a Avenida JK. O Núcleo foi formado no Programa Empreender, da Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina), com o objetivo de discutir estratégias e projetar ações com o intuito de fortalecer a atuação dos profissionais na cidade, o crescimento dos negócios e a concretização do associativismo.


"Houve um plano viário há mais de 50 anos antes de criarem a via expressa para duplicar a Duque de Caxias até a rodoviária. De lá para cá houve um desinteresse muito grande de novos investimentos, de novas construções por parte das empresas porque, quando fosse duplicar, ficaria difícil", conta Luiz Carlos Euzébio, diretor secretário da Acil e membro do Núcleo da Duque de Caxias. Ele tem uma loja de ferramentas na via há mais de 30 anos.


 

Luiz Carlos Euzébio, diretor secretário da Acil e membro do Núcleo da Duque de Caxias
Luiz Carlos Euzébio, diretor secretário da Acil e membro do Núcleo da Duque de Caxias | Gustavo Carneiro
 




Devido ao impasse relacionado ao projeto que já tem mais de 50 anos e nunca foi executado, os comerciantes preferem que ele seja retirado de pauta. "Isso está acabando com a avenida. Se não vai duplicar, por que não faz a extinção do plano viário para que voltem os investimentos por parte de particulares e até da prefeitura?"


"Ao meu ver, a duplicação até seria ótima ideia, mas a gente vê que não tem viabilidade", opina Eduardo Mondek, proprietário de uma loja de ferramentas da Av. Duque de Caxias. "A gente procurou em outras ocasiões tentar resolver isso, ou duplicar ou revogar, e como estamos sentindo que não há condições de duplicar, a gente está pedindo a revogação para que as pessoas possam reinvestir na avenida e não deixar parada." Para Mondek, as restrições impostas pelo plano viário para a duplicação da avenida podem espantar os clientes. 



Michel Gouveia, sócio administrativo de uma loja de materiais elétricos da Duque diz que a proibição do estacionamento de carros na avenida e a Lei Cidade Limpa alguns anos atrás prejudicou o comércio da via, que nunca mais foi o mesmo. "E depois, havendo essa ameaça de a qualquer momento o Superbus entrar em funcionamento, existe uma insegurança para novos estabelecimentos comerciais voltarem para a Duque de Caxias. Isso desestimula principalmente os proprietários dos imóveis de baixo a fazer benfeitoria nos imóveis, a construir, porque se for duplicar, perde tudo o que construiu."


A empresa de Gouveia está há 48 anos no mesmo endereço, mas ele diz que, se fosse abrir um comércio na cidade, dificilmente escolheria a Duque de Caxias para isso. "Por essa insegurança de perder o estacionamento de novo na via." A saída de outros comerciantes da avenida prejudica também quem continua por lá, ele observa. "Não dá pra ficar sozinho na rua. Se não tiver todos os comércios funcionando, não vira." 


Proprietários não conseguem alugar ou vender imóveis

Imóveis vazios, com placas de imobiliárias para locação ou venda se tornam cada vez mais frequentes ao longo da via. Há casos em que há mais de um imóvel, um seguido do outro, de portas fechadas. A desvalorização da região prejudica os proprietários e as imobiliárias, que ficam um bom tempo sem conseguir locar ou vender os imóveis. 


Para o proprietário da Imobiliária Perez, Virgilio Perez, que tem imóveis disponíveis na via, a proibição de estacionar na via por um período fez espantou os comerciantes e, mesmo depois que o estacionamento foi liberado, o comércio não reagiu mais. Outro fator que pode ter contribuído para a evasão dos comerciantes da Duque foi a Gleba Palhano, que hoje atrai a maioria dos empresários. "Mas se analisar friamente essa questão, o que mudou foi o estacionamento que foi retirado e depois voltou, mas o fluxo não voltou à normalidade." 


Uma saída é o que alguns comerciantes já estão fazendo, que é modernizar as lojas e oferecer estacionamento privativo para os clientes. "O foco principal que as pessoas têm quando vão procurar um imóvel é, primeiro, se o espaço se atende às necessidades e, segundo, a acessibilidade, o estacionamento. A dificuldade lá seria o estacionamento, não tem outra coisa. A avenida está bem localizada, está no centro."


Restrições de tráfego e estacionamento incomodam os empresários

Os comerciantes também pedem uma revitalização da via, semelhante à que foi feita na Rua Sergipe, sincronização dos semáforos e a ampliação do horário para que carros possam estacionar na via e trafegar no corredor de ônibus. Para eles, a quantidade de ônibus que passa na avenida não justifica as restrições de tráfego e estacionamento.


Em março, o vereador Matheus Thum propôs um Projeto de Lei (nº 41/2021) para que a faixa exclusiva para ônibus da Duque de Caxias se tornasse faixa preferencial, para que outros veículos pudessem utilizá-la. A tramitação do projeto, entretanto, foi interrompido por definitivo a pedido do próprio vereador. 


Segundo ele, o projeto de lei foi retirado de pauta devido a pareceres jurídicos contrários. "A proposta ficou de difícil aprovação na Câmara por causa de pareceres jurídicos contrários. Conversamos com representantes da prefeitura, com a CMTU (Companhia Municipal da Trânsito e Urbanização e decidimos tirar a proposta e fazer como indicação. A prefeitura se comprometeu que as alterações na Duque estarão previstas no Plano de Mobilidade Urbana e, até para não atrapalhar o Plano, decidimos pela retirada de pauta do projeto."


Discussão precisa ser retomada, diz Ippul

O presidente do Ippul, Tadeu Felismino, afirma que ainda não é possível dizer que a possibilidade de duplicação da avenida está descartada. "Neste momento não sabemos. Quando debatemos este assunto com um grupo de empresas dois anos atrás, ainda havia uma interrogação, porque a duplicação seria algo muito difícil de viabilizar por causa do custo. Por outro, abrir mão disso ainda não era uma decisão. Quem sabe agora, retomando o debate, podemos chegar a conclusões a que na época não conseguimos chegar."


A situação da via é uma das prioridades do Plano de Mobilidade Urbana de Londrina, estudo concluído no ano de 2019 e que apontava as prioridades para obras viárias na cidade no horizonte dos próximos 25 anos.


"Essa questão da Duque foi colocada como uma das grandes prioridades, dos gargalos para o desenvolvimento da cidade, e dentro do plano foram elaborados alguns cenários. Tem um primeiro, que envolveria uma duplicação, mas essa obra tem grande dificuldade que é o altíssimo custo e a necessidade de muitas desapropriações em uma área importante. Então foram feitos alguns cenários alternativos de não duplicar e buscar uma melhor gestão do tráfego naquele local. Esses cenários estão no planejamento, mas é um assunto que precisa ser retomado."


Segundo o presidente do Ippul, a reivindicação de ampliação dos horários de estacionamento e de tráfego na via exclusiva para ônibus também é um dos pontos a serem discutidos a respeito da avenida. "São vários os pontos da agenda importante que é da Duque e acredito que a gente vai retomar esse assunto, ainda mais agora que os empresários estão se organizando melhor."


Felismino elogiou a iniciativa dos empresários e se colocou à disposição para retomar a discussão sobre a via. "O fato deles terem se organizado em um núcleo empresarial da Acil é positivo e acredito que o caminho é retomarmos a discussão para ver que solução seria possível dentro do cenário."

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