Comerciantes negam recuo nas vendas
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quinta-feira, 22 de março de 2012
Nelson Bortolin <br> Reportagem Local 
Apesar de a pesquisa da Cetelem BGN apontar que a porcentagem de brasileiros que pretendem comprar carro caiu de 18% para 15% em 2012, as vendas na Fiat Marajó foram recorde no primeiro bimestre deste ano. Quem garante é o diretor Comercial da empresa, Eduardo Meneghetti. Segundo ele, o crescimento foi de 18% na comparação com o mesmo período de 2011. ''Não percebemos nenhuma redução da intenção de consumo aqui na loja'', afirma.
Ele acredita que o crescimento da classe C pode estar compensando o comportamento mais moderado dos demais consumidores. ''Espero que o ano continue bom como começou'', declara.
Na CW Informática, a diretora Ana Flávia Montezuma afirma que a procura por desktops realmente caiu, mas, em compensação, as vendas de notebooks cresceram muito. ''Os preços desses computadores caíram até 15%'', justifica. No cômputo geral (incluindo videogames), houve um aumento nas vendas na ordem de 20% neste ano, segundo ela. O movimento na CW contraria a pesquisa que diz ter caído de 20% para 16% a porcentagem dos brasileiros que pretendem comprar computador neste ano.
Da mesma forma, a queda no índice de brasileiros que pretendem viajar a passeio - de 32% para 25% - não foi sentida na ABT Operadora. ''Não houve alteração nenhuma, o mercado continua aquecido'', afirma a consultora Maria Rita Palegari. Com foco em destinos internacionais, ela diz que o mercado está se antecipando cada vez mais. ''Já estamos vendendo viagens para julho do ano que vem em 10 parcelas. As pessoas querem viajar com o pacote já pago'', ressalta.
Já para o presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Nivaldo Benvenho, é natural o fato de a intenção do consumo brasileiro ter diminuído. ''Vivemos uma expansão de crédito muito grande nos últimos anos. Mesmo com os maiores juros do mundo, para os padrões brasileiros a expansão foi algo que nunca se viu'', afirma.
Esse processo, ressalta Benvenho, resultou num grau de endividamento muito grande. ''Os consumidores experimentaram o crédito à vontade e muitos se enroscaram. Agora é hora de voltar a comprar com cautela e recuperar o nome no mercado. Este momento vai servir para o amadurecimento do brasileiro enquanto consumidor'', salienta.
De acordo com o presidente da Acil, o medo de que a crise europeia chegue ao Brasil também favorece uma postura mais moderada. ''Cresceu o medo da perda do emprego'', afirma.


