As vendas do vestuário outono-inverno estão em marcha lenta em Curitiba. A ausência de temperaturas mais baixas é apontada por profissionais do setor como o principal fator de desestímulo às vendas. Com a chegada das novas coleções às vitrines, as vendas em algumas lojas caíram até 30% em relação a março. A estimativa do presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP), Ardisson Akel, é que as vendas do vestuário este ano permaneçam nos mesmos patamares do outono-inverno de 1996.
Os comerciantes apostam tudo na chegada do frio para aumentar as vendas. ‘‘Para o vestuário, o clima é tudo’’, resume Eliane Daitschman, coordenadora da câmara do vestuário da ACP. ‘‘A queda de temperatura ocorrida há uns 15 dias aumentou as vendas, mas o clima esquentou, atrapalhando o desempenho do comércio’’, afirma. Ela acredita que é possível recuperar o atraso ‘‘se o frio não demorar muito’’.
Eliane não trabalha com a perspectiva de aumento de vendas este ano em relação a 1996. ‘‘Devemos ficar nos mesmos níveis do ano passado’’, diz. A opinião é avalizada por Akel. ‘‘Não devemos atingir o nível de vendas de 1994, que foi um bom ano. As vendas caíram em 1995 e mais um tanto ano passado’’.
‘‘De um ano e meio para cá houve uma perda relativa do item vestuário no bolo geral do comércio. Enquanto isto, cresceram as vendas de eletroeletrônicos’’, afirma o residente da ACP. ‘‘O consumidor de baixa renda assumiu a prestação de uma geladeira e ficou sem dinheiro para comprar uma camisa nova’’, completa. Segundo ele, as vendas do vestuário caíram de 10% a 30% neste período.
Segundo Akel, as roupas de outono-inverno estão praticamente com os mesmos preços do ano passado, ‘‘apesar da inflação de 10% e da desvalorização cambial de 15%’’. Eliane Daitschman diz que em 1996 os preços do vestuário subiram dois pontos percentuais abaixo da inflação.
Apesar disso, os importados continuam ganhando espaço nas vitrines. Numa loja de um grande shopping curitibano, por exemplo, 70% do estoque é de importados, segundo o gerente Willian Almeida. De acordo com ele, ano passado essa participação foi de 50%.
Com o aumento da inadimplência nos últimos meses, uma das principais preocupações dos comerciantes é a aprovação do crédito. ‘‘A inadimplência tem crescido e preocupa. Recomendamos que o lojista consulte sempre o Serviço de Proteção ao Crédito’’, diz o presidente da ACP.

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