Comerciantes fecham as portas durante protesto
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quinta-feira, 21 de novembro de 2013
Nelson Bortolin<br> Reportagem Local 
Cerca de 180 pessoas participaram ontem pela manhã do protesto contra a suspensão do feriado municipal da Consciência Negra, determinada na última segunda-feira pelo Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR). O grupo se reuniu na Concha Acústica às 9 horas da manhã, onde foram feitos discursos e uma homenagem à Mãe Mukumbi, liderança da comunidade negra assassinada em agosto. Depois, sob chuva fina, os manifestantes saíram em passeata pelas ruas da cidade, até por volta do meio-dia.
Do começo ao fim, o protesto foi pacífico. A maioria dos comerciantes atendeu ao pedido do movimento e fechou as portas, reabrindo em seguida. "Fechei com medo de agressão. Tenho de defender meu patrimônio", justificou Celeste Catori, dono da Casa dos Doces. Para ele, o Dia da Consciência Negra deveria ser comemorado no segundo ou terceiro domingo do mês. "O comércio vive de venda, precisamos abrir", defendeu. Na opinião de Catori, outros feriados, como o da Proclamação da República o do Padroeiro do Município, deveriam ser cancelados.
Outra que atendeu aos apelos dos manifestantes foi a proprietária da Maxcell Celulares, Marinês Lima. "Fechei em respeito à manifestação. E também com um pouco de medo", admitiu.
Depois de circular pelas ruas Minas Gerais, Sergipe, Pernambuco e pelo Calçadão, os manifestantes pararam em frente ao edifício Palácio do Comércio, onde fica a sede da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil). Antes da decisão do TJ em favor da Federação da Indústria do Estado do Paraná (Fiep), a Acil já havia obtido uma liminar garantindo a abertura das lojas no feriado da Consciência Negra.
Durante cerca de 20 minutos, os manifestantes permaneceram no local gritando palavras de ordem contra a postura da entidade. "Acho que é uma discriminação contra os nossos ancestrais. Deveria ser um feriado nacional", afirmou o pai de santo Carlinhos de Omoluaye, que veio de Capivari (SP) para participar do protesto.
Para o professor Dejair Dionísio, a decisão foi política, "apesar da desculpa jurídica". O TJ concedeu liminar suspendendo o feriado devido a uma lei federal, segundo a qual os municípios só podem criar feriados religiosos. "Faltou sensibilidade histórica", disse Dionísio. Para ele, o racismo é muito forte no País e está relacionado às questões religiosas. "A tradição judaico-cristã faz as pessoas olharem de forma preconceituosa as outras religiões", opinou.
A administradora de empresas Neyde Jordão também participou do protesto. Nascida em São Tomé, ela vive no Brasil há 9 anos e considera haver muito racismo no País. "Conheço Portugal, Cabo Verde e Angola e aqui acho que essa situação do racismo é pior", afirma.
As vereadoras Lenir de Assis (PT) e Elza Correia (PMDB) também acompanharam o grupo. "Acho que a questão legal usada para derrubar o feriado é uma desculpa. Acharam uma brecha na lei, mas a verdade é um desmerecimento da causa do povo negro", declarou Lenir. Elza classificou a decisão judicial de "lamentável". "Não há justificativa legal para cancelar o feriado quatro anos depois de ele ter sido criado", disse.
Integrante do movimento negro, o ex-vereador Tito Vale diz que irá apresentar uma reclamação no Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar reformar a decisão do TJ.
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Veja vídeo da passeata:


