Sorteio de brindes e descontos são as formas que comerciantes estão adotando para atrair consumidores
Sorteio de brindes e descontos são as formas que comerciantes estão adotando para atrair consumidores | Foto: Gustavo Carneiro - Grupo Folha

A expectativa de vendas para o Dia das Mães em Londrina é de R$ 72 milhões neste ano, no mesmo patamar do período no ano passado, de acordo com a pesquisa de intenção de compra feita pela Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina). Porém, as entrevistas indicaram que o temor do consumidor em fazer novas dívidas deve gerar a repetição do desempenho de 2018.

O tíquete médio por presente está estimado em R$ 257,69. Os comerciantes esperam que o Dia das Mães, que será neste domingo (12) aqueça o faturamento e represente uma retomada, depois de oscilação nos quatro primeiros meses do ano. O presidente da Acil, Fernando Moraes, afirma que as vendas em janeiro foram muito superiores, em fevereiro foram boas, em março retrocederam e em abril, iguais, sempre na comparação com os mesmos meses do ano anterior. A data é considerada a mais importante para o varejo no primeiro semestre e a segunda melhor do ano, atrás apenas do Natal.

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. | Foto: Folha Arte

Segundo pesquisa encomendada pela ACIL e realizada pela empresa Litz com 300 consumidores de todas as regiões da cidade, 64,3% dos entrevistados disseram que presentearão as mães no próximo domingo. Dos que não vão às compras, 41% disseram que a mãe faleceu e 21%, que estão em má situação financeira.

A escolha do presente será vestuário para 58%, perfumaria para 32%, calçados para 24,4%, flores para 16,6% e bijuterias e acessórios para 10,4%. Chocolates, eletrodomésticos, objetos de decoração, eletrônicos e livros completam o ranking de preferência.

ENDIVIDAMENTO

Com maior dificuldade para pagar contas e parcelamentos, 52,8% dos consumidores disseram que pagarão à vista pelo presente das mães. “O consumidor está sem a confiança de assumir venda a prazo”, diz o presidente da Acil, que completa que essa intenção nem sempre se concretiza. “Sou comerciante e temos pesquisas internas que mostram que 11% pagam à vista, na média, e outros 14% em datas comemorativas.”

Na pesquisa, a segunda opção de pagamento é o parcelamento no cartão de crédito (24,4%), seguida por à vista no cartão de crédito (10,9%), cartão de débito (9,8%), crediário (2,1%) e parcelamento em cheque (0,5%).

A desempregada Angélica Ribeiro é um exemplo desse tipo de consumidor. “Vou dar uma coisa simples para a minha mãe e para a minha sogra, porque as coisas estão difíceis neste ano”, conta. Ela reclama que os preços estão mais altos e a renda da família diminuiu. “Faço a maioria das minhas compras à vista, para não fazer dívidas novas”, explica.

Otimista mas nem tanto, a aposentada Maria Aparecida Morais não esconde que espera ao menos algum presente dos filhos. Mesmo assim, entende se ficar somente com um abraço. “Hoje em dia a mãe é a última a receber, porque eles têm de comprar para os filhos, os sobrinhos...”, diz. Para ela, a vantagem é que há opções nas vitrines para todos os bolsos. “Por mais que esteja difícil, acho que hoje é melhor do que antigamente, quando era difícil ter dinheiro até para comer, quanto mais para comprar um presente.”

RETORNO AO CENTRO

O presidente da Acil conta que se surpreendeu positivamente com o indicador de que 51,8% dos entrevistados pretendem fazer a compra dos presentes no comércio de rua da região central. Outros 42% frequentarão os shoppings e 6,7%, o varejo de bairro. O comércio eletrônico atrairá 5,7% dos entrevistados.

Os números, contudo, ainda não deixam os lojistas confiantes. “Espero que as vendas sejam boas, mas até agora está igual ao ano passado”, diz a gerente Ana Carolina Ferreira, da Club Denim. Para promover as vendas, a loja sorteará uma cesta de guloseimas e um vale-compras de R$ 100 para os seguidores do perfil no Instagram da empresa.

Outros comerciantes preferem fazer descontos nas etiquetas. “Fazemos algum tipo de promoção o ano todo e temos preços a partir de R$ 20. Não temos como fazer mais do que isso”, diz a gerente e sócia da Gatos e Gatinhas, Eliana Strelow. Ela complementa que espera a chegada do frio para ajudar. “Queríamos vender mais, mas está bem parado. E a coleção do Dia das Mães é mais de inverno.”

Encarregada em uma loja da Pé Quente Calçados, Cristina Ferreira cita que as vendas ainda não engrenaram. “No ano passado também foi fraco e acabamos vendendo mais no Dia dos Pais”, diz. Com descontos de até 50%, ela afirma que espera que a diferença em 2018 indique o início de uma recuperação da economia. “Vamos ficar abertos na quinta e na sexta à noite, porque é no último dia que as vendas aparecem.”

COMPRAS NOTURNAS

Para atrair o consumidor, convencer o lojista a trabalhar no horário estendido e valorizar os espaços públicos, a Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina) promoverá nos dias 9 e 10, das 17 às 21 horas, a 1ª edição da Feira na Praça. O evento será na Praça Gabriel Martins (entre a rua João Cândido e a avenida São Paulo) e reunirá expositores de produtos naturais e orgânicos, food trucks, apresentações musicais ao vivo e espaço kids, para servir de opção para toda a família.

O comércio de rua em Londrina funcionará em horário estendido nos três dias que antecedem a data. As lojas ficarão abertas das 8 às 21 horas na quinta-feira (9) e na sexta-feira (10). No sábado (11) o expediente será das 9 às 18 horas.

A Acil também criou uma promoção diferente. Quem for ao local terá à disposição um painel de interação, com a qual poderão participar do concurso “Minha Mãe É”. Nos dias 9 e 10, das 17 às 21 horas, e no dia 11, das 10 às 15h, será possível tirar fotos e publicar no próprio perfil do Instagram, com a hashtag #mãesacil2019. A foto mais curtida ganhará uma Smart TV de 32 polegadas e a segunda colocada receberá um celular J2 Core Samsung. Vale lembrar que o perfil não poderá estar no modo privado para que seja possível localizar a foto por meio da hashtag e validar a participação.

Os eventos culturais visam garantir também maior facilidade de compra para os consumidores. De acordo com a pesquisa, 61,7% dos entrevistados responderam que a abertura do comércio na quinta e sexta-feira à noite, além do sábado à tarde, contribui para o consumo. Para 59,3%, as programações artísticas e culturais gratuitas em espaços públicos incentivariam pessoas a saírem de casa para prestigiar o comércio local. “Por isso, informamos os lojistas com 20 dias de antecedência sobre essa iniciativa, para que se preparassem para abrir à noite”, diz o presidente da Acil, Fernando Moraes.

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