Comerciantes e agricultores têm queixas em comum
Num quesito todas as entidades de classe ouvidas pela Folha concordaram: elas dizem que não tiveram voz ativa na discussão da medida do governo estadual de instituir um salário mínimo regional. Os empresários disseram não estarem preparados para assumir a despesa extra.
O comércio seria, na teoria, beneficiado com o aumento do salário, pois o dinheiro a mais no mercado poderia reverter em aumento no volume de vendas e no faturamento. Mas a teoria não se aplica neste caso. Pelo menos é o que afirma o conselheiro da Associação Comercial e Industrial de Londrina, José Augusto Rapcham.
''Percebemos uma variação negativa nas vendas no início de junho, em relação a maio. O volume de dinheiro no mercado diminuiu. Além disso, os empresários ficaram com receio de fazer contratações temporárias'', explica. Segundo o conselheiro, esse quadro teria sido previsto pelas entidades patronais.
Rapcham diz que o comércio não tem como arcar com o custo elevado do novo salário, o que resulta em demissões no setor. ''Isso contribui para o aumento da inadimplência, que em maio ficou 40% maior do que no mês anterior.''
''Se o problema do trabalhador se resolvesse com a adoção do mínimo regional, eu seria a favor. Mas não é isso que acontece'', completa o conselheiro.
Outro setor que não recebe bem a adoção do piso diferenciado é o agrícola. ''Consideramos a medida inoportuna. Passamos por um momento de grande dificuldade. O governo poderia ter poupado o nosso setor'', reclamou o presidente do Sindicato Rural de Londrina, Luiz Fernando Kalinowski.
''Com o decreto houve um aumento muito grande nas despesas dos agricultores. O impacto foi bem maior junto aos pequenos e médios produtores, porque eles dependem mais de mão-de-obra'', analisa Kalinowski. (R.N.)





