Curitiba - Uma pesquisa feita pela Federação do Comércio do Paraná aponta que 72% dos comerciantes em todo o Estado estão com expectativas otimistas para as vendas no segundo semestre. O otimismo ganhou fôlego ontem, quando os empresários tiveram mais informações a respeito da queda de 0,5% na taxa de juros Selic.
Segundo a pesquisa, 66% dos empresários de 134 empresas comerciais de todas as regiões do Estado acreditam em acréscimo entre 5% e 10% nas vendas até o fim do ano. Apesar da queda na renda das famílias, os empresários apostam na entrada de renda adicional na economia, com o 13º salário.
Sobre a queda nos juros, o consultor econômico da Federação do Comércio, Vamberto Santana, diz que o impacto imediato para o consumidor depende mais de decisões políticas do que reflexos da matemática. Para ele, a reduçãode 0,5% só será sentida na taxa de cheque especial ou nos financiamentos de bens duráveis, a partir do segundo ou terceiro mês de vigência da nova taxa. Mesmo assim a queda deve refletir entre 0,1 a 0,3% sobre os juros atuais, ''o que é muito pouco'' - ressalta Santana.
''Mas é a consequência matemática da queda da taxa Selic'', explica consultor. Segundo ele, desta vez é bem provável que ocorram consequências políticas e neste caso a queda nos juros chegará bem mais rápida ao consumidor. Ou seja, algum grande banco - para agradar ao Banco Central ou à equipe econômica do governo federal - pode decidir por um corte significativo na taxa de juros do cheque especial. ''É bem possível que isso aconteça por parte de grupos empresariais interessados em colaborar com o governo e com a candidatura de José Serra'', analisa.
O Banco do Brasil é outra instituição que pode deflagar esse processo, destaca Santana. Nesse caso, a medida seria seguida por outras grandes instituições porque sempre ficam de olho na concorrência, diz. O mesmo pode acontecer com grandes grupos industriais ou comerciais, que podem anunciar quedas expressivas na taxa de juros para os consumidores.

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