Os comerciantes com lojas instaladas na Galeria Cine Augustus - que irá se transformar no mais novo camelódromo da cidade - estão apreensivos quanto ao futuro. Com contratos de locação ainda válidos, a continuidade de seus negócios ainda é uma incógnita. A lei garante a permanência das lojas pelo período vigente do contrato mas, inegavelmente, haverá uma mudança no perfil do empreendimento, que pode não ser interessante aos empresários. Muitos aceitam deixar o local, desde que devidamente indenizados.
''Não pretendo ficar e meu contrato vence só em 2007. Minhas mercadorias não são de camelódromo e não concordo com isso até porque Londrina já tem outros camelódromos'', afirmou a comerciante Aparecida Tereza Marunka Rossi, proprietária da Fernanda's Store. Apesar do descontentamento, ela disse que só deixa o local se for ressarcida, uma vez que ela chegou até a pagar pelo ponto comercial. ''Vou perder o investimento e também não pretendo abrir outra loja em outro lugar. Estou decepcionada com a cidade e acho que não vale mais a pena investir aqui porque há um incentivo ao contrabando'', salienta.
Desde que o novo empreendimento foi anunciado, Fernanda (como é conhecida) comenta que já vem tendo prejuízos. ''As classes mais altas já não vem mais aqui e as vendas caíram bastante'', observa. O resultado: uma funcionária já foi demitida e a outra terá emprego apenas até a inauguração do camelódromo. No entanto, outros dois lojistas que conversaram com a reportagem afirmaram que têm interesse em continuar no local, mas em condições diferenciadas. É o caso de uma comerciante que preferiu não se identificar ''para não atrapalhar as negociações''.
''Meu contrato vence em 2008, mas só queria ficar aqui por mais um período, até que eu conseguisse transferir meus clientes para um outro ponto'', disse a comerciante. Além disso, ela quer ter uma loja maior, formada por ''três ou quatros boxes'', e ser ressarcida dos prejuízos, pelo não cumprimento do contrato. ''Estamos bravos com a proprietária, que fez esse negócio. Também acho que Londrina vai perder muito'', observou.
Já um outro comerciante, que também não quis se identificar, disse que se instalou no local há três meses. ''Tenho interesse em ficar, mas desde que seja uma proposta honesta'', salientou. Ele sabe que terá que negociar com a ONG e reformular a sua loja. ''Quero uma loja maior. Não sairei daqui só para ajustar o projeto deles'', disse. Além disso, o comerciante lembra que vende produtos originais, com garantia de procedência e com nota fiscal.
O presidente da ONG Trabalho para Todos, Emerson Lafayte Dias Soares, afirmou que ''todos os contratos serão honrados''. ''Iremos aceitar os que quiserem aderir ao nosso projeto, quem não quiser permanece onde está e quando o contrato vencer o ponto vai passar para a gente'', explica. Ele ainda acredita que a maioria dos comerciantes vai aderir ao empreendimento cedendo os seus espaços atuais e aceitando os boxes de quatro metros quadrados.

mockup