Comerciante vende pão a R$ 0,08
Comerciante vende pão a R$ 0,08
Guto Rocha
Paulo WolfgangJair Nunes: Pão não vale o que está sendo cobrado nas padariasNão adianta insistir, mas o pão não vale que está sendo cobrado pelas padarias, diz Jair Pereira Nunes, proprietário da Mercearia Banquinha, na Vila Santa Terezinha, em Londrina. Ele está desafiando a concorrência vendendo o pãozinho francês a R$ 0,08, contra os R$ 0,13/0,15 praticados na maioria das panificadoras da cidade.
Nunes afirma que compra o pão por R$ 0,07, lucrando R$ 0,01. Ele argumenta, que mesmo com margem de lucro reduzida, o negócio ainda é compensador. Não sobrevivo apenas com a venda de pão, assim como as padarias. O pão funciona como um atrativo para vender outras mercadorias, diz.
O comerciante não revelou o nome da padaria que fornece pães para sua mercearia. Segundo Nunes, o proprietário da panificadora teme por represálias por parte do Sindicato do Sindicato da Indústria de Panificação e das Confeitarias do Norte do Paraná (Sidpanp). Logo que os preços do pão subiram em Londrina e eu mantive os R$ 0,08, duas pessoas do sindicato vieram aqui pedir para eu reajustar para R$ 0,15, afirma Nunes.
Quando os preços do pão francês passaram de R$ 0,10 para R$ 0,13/0,15, o Sidpanp alegou que não houve reajuste, mas sim a suspensão de desconto que vinha sendo concedido desde a entrada do Plano Real. Outro fator que teria contribuído para o aumento foi a alta da farinha de trigo especial para panificação, que segundo o sindicato, passou de R$ 12,00 para R$ 13,00/saca de 25 kg na semana passada. Mas segundo um corretor do mercado de trigo em Curitiba, que compra e vende o produto para moinhos, os preços da farinha não subiriam nos últimos 15 dias.
O primeiro-secretário do Sindpanp, Itamar Carlos Ferreira, diz que há três anos vende pão francês em sua padaria por R$ 0,15. Deve ser algum louco que está fornecendo pão para este comerciante, diz Ferreira ao comentar o preço de Nunes. Segundo ele, o custo de produção do pão francês de 50 gramas é de R$ 0,11 em todo o País. O sindicalista afirma ainda que o Sindipanp nunca obrigou nenhuma a praticar determinado preço.





