Comercialização de trigo está parada no Paraná
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 10 de outubro de 2003
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba Produtores e cooperativas no Paraná estão preocupados com a paralisação na comercialização de trigo. Eles reclamam que estão em pleno período de colheita e o mercado está sem liquidez. Os produtores e cooperativas reclamam ainda da queda nos preços do trigo de R$ 470,00 a tonelada para R$ 430,00 a tonelada. Segundo Flávio Turra, assessor econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), a diferença de preço é expressiva, ainda mais se considerar que os moinhos estão pagando mais pelo trigo importado, cerca de R$ 480 a tonelada.
Os produtores querem que os moinhos honrem o compromisso, assumido antes do plantio da safra, que dariam preferência na compra do trigo nacional, em condições de igualdade na qualidade do produto. Os produtores acreditaram e plantaram a safra. Como resultado está sendo colhida uma safra de 5,1 milhões de toneladas, sendo 2,7 milhões de toneladas só no Paraná. Além disso, o trigo nacional é de boa qualidade porque o clima foi favorável durante todo o ciclo da cultura.
O presidente da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), Roland Guth, concordou que o mercado está fraco e atribuiu a queda na venda do trigo à concorrência desleal, que vem sendo feita pelos produtores de farinha da Argentina. Segundo ele, grandes indústrias consumidoras de trigo do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo estão comprando farinha direto da Argentina, por causa da ''la trampa oficial'', uma operação irregular feita na Argentina.
Segundo Guth, na Argentina os exportadores de trigo e de farinha comum pagam um imposto de importação de 20%. Ocorre que eles adicionam uma mistura de 0,3% de sal à farinha e exportam o produto com a classificação de ''pré-mistura'', pagando um imposto de 5%. Com isso conseguem colocar essa farinha no Brasil com preço 15% inferior ao produto vendido pelos moinhos brasileiros.
Outra justificativa de Guth é que houve queda de consumo no Brasil e os moinhos devem reduzir o volume de moagem. O empresário acredita que dificilmente este ano será atingido o mesmo volume de 9,3 milhões de trigo moidos no ano passado.


