Comentarista prega a independência
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quarta-feira, 18 de novembro de 1998
Pedro Livoratti 
Empresas e profissionais liberais precisam buscar a independência e se estabelecer nestes tempos de crise mundial. A tão propalada globalização representa uma oportunidade única para fazer negócios com vistas a um mercado mundial. Este foi o recado deixado na noite de anteontem pela jornalista Salete Lemos, que participou do 1º Fórum de Desenvolvimento Econômico de Londrina - Maxi Economia, promovido pela Ibmec Business School, com apoio da Folha de Londrina/Folha do Paraná. O encontro prevê outras duas palestras no próximo dia 25, no Teatro Marista, em Londrina.
Precisamos tomar uma atitude de independência, quem tem competência estará sempre posicionado em seu mercado, afirmou a jornalista. Especializada em macroeconomia e conhecida do grande público por seus comentários de bastidores ao lado do apresentador do Telejornal da Record, Bóris Casoi, Salete Lemos impressionou a platéia de cerca de mil empresários, executivos e profissionais liberais com sua indignação. A jornalista revelou, com riqueza de detalhes, por que não se deve ficar esperando que o governo baixe os juros atuais ou aprove as reformas no próximo ano - pontos fundamentais para que os investimentos possam ser retomados.
Ao invés de uma palestra técnica, a jornalista preferiu apontar algumas contradições referentes ao cenário atual. Mão-de-obra despreparada, governo desacreditado internamente e um programa de ajuste fiscal capenga. Por outro lado, analisou a jornalista, o Brasil representa o quarto mercado consumidor mundial e conta com credibilidade internacional.
Segundo Salete, o governo federal não tem nada concluído sobre a reforma fiscal e tributária. A demora em um texto definitivo mostra a pouca importância que o governo está dando a esta aprovação. Da mesma forma, o ajuste fiscal anunciado na última semana também traz equívocos, segundo Salete. O governo admite que o desemprego aumenta no próximo ano, mas afirma que a contribuição previdenciária permanece. É uma vulnerabilidade enorme.
A desconfiança do sucesso do ajuste fiscal e de que as reformas não sejam aprovadas em 99 podem trazer graves consequências aos brasileiros nos próximos meses. A jornalista disse que empresários não devem fazer prognósticos otimistas a partir de julho. Ao invés disso, o ideal é raciocinar que o período é de oportunidade na medida em que se planeja de olho no futuro.
O cenário global, este sim, afirma ela, representa o futuro para as organizações. A idéia é projetar o que pode ser vendido lá fora. Por que ninguém exporta guaraná, que é um produto genuinamente brasileiro?, questionou a jornalista.
Para ela o momento é de buscar informações para ter conhecimento e consequentemente tomar atitudes. O Brasil tem acesso a muita informação, mas precisamos é produzir conhecimento, o que é diferente. Através de conhecimento é possível tomar atitudes, afirmou.


