Começam discussões sobre a Casa do Empreendedor
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quarta-feira, 14 de maio de 1997
Bete Fagundes 
DivulgaçãoMembros da Comissão de Justiça da Câmara de Londrina: novas propostasO banco do empreendedor vai nascer com o nome de Instituto Comunitário de Créditos de Londrina - a Casa do Empreendedor - e provavelmente estará com as portas abertas no prazo de 90 dias. A informação é da Comissão de Justiça do Legislativo, que reuniu ontem a imprensa para apresentar as propostas dos vereadores ao projeto de lei do Executivo que regulamenta o Fundo de Desenvolvimento Econômico e Social de Londrina - FDL.
A Casa do Empreendedor já tem o primeiro milhão para financiar microempresários na abertura ou expansão de negócios. Falta a aprovação, na Câmara, do Fundo de Desenvolvimento. É ele que vai captar recursos do município - de sua participação acionária na Sercomtel S/A Telecomunicações - para o banco emprestar a juros baixos e fomentar a economia.
Os vereadores Célio Guergoletto (PMDB), Sidney de Souza (PST) e Santa Rosa (PFL) lembraram que a Lei 6.419/95, autorizando a transformação do Sercomtel em S/A, já previa a criação do Fundo e o repasse de R$ 4 milhões para o município. Depois de tanto tempo, troca de prefeito e muitas discussões, o que se sabe hoje é que a Casa do Empreendedor receberá R$ 1 milhão e o município terá R$ 3 milhões para investir em obras. Mas antes de qualquer liberação, a Câmara exige especificação de obras, custos, cronogramas. Prefeitura e Câmara também terão que se ajustar para abrir a Casa. Ao invés de subsidiar o pequeno, o médio e o grande empresário, como queria o Executivo, o Legislativo limita o atendimento ao microempresário. Também não quer que o banco seja usado em programas de colonização e assentamento rural. E muito menos que a Codel (Companhia de Desenvolvimento de Londrina) e a Sercomtel gerenciem os recursos.
O modelo dos vereadores evita qualquer ingerência política. Vamos criar uma Ong (Organização não-governamental), até mesmo para receber recursos de fora, e vamos formar um conselho comunitário; que vai trabalhar com a razão, e não com o coração - destacou Guergoletto.
Esse modelo existe em Porto Alegre. A Portosol é independente, comentou o vereador. Guergoletto foi conhecer o sistema, a convite da Sercomtel. Eles já têm 2.500 clientes cadastrados e não emprestam mais que R$ 10 mil por pessoa, a juros de 4,5% ao mês. O interessante é que a média de empréstimo per capita é de R$ 1.200, e a inadimplência gira em torno de 3%. É bem provável que o projeto entre hoje em primeira discussão na Câmara.


