Os nove milhões de cabeças do rebanho de bovinos e bubalinos (búfalos) do Paraná começaram a ser vacinadas ontem contra a febre aftosa. A vacinação está sendo controlada pelas superintendências regionais da Defesa Sanitária Animal (DSA), da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento.
O superintendente regional da DSA de Maringá (que responde por 29 municípios), Jaime Scardoelli, explica que o principal objetivo dessa campanha, que termina no próximo dia 20, é chegar até o próximo mês de maio sem nenhum foco de febre aftosa no Estado: ‘‘Se isso ocorrer, fecharemos 24 meses sem foco da febre e ganharemos da Organização Internacional de Epizootias (OIE) a condição de área livre com vacinação. Isso significa que poderemos nos igualar aos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul e pegar um preço melhor para a carne paranaense no mercado internacional’’.
A OIE é uma organização com sede em Paris que controla as doenças infecciosas em animais nos cinco continentes. Hoje, o Paraná está vendendo carne a R$ 1,8 mil/tonelada no mercado internacional. Com o reconhecimento da OIE, poderá elevar esse preço para R$ 3,5 mil a tonelada.
Scardoelli anuncia que a época de vacinação contra a aftosa está mudando no Paraná: ‘‘A segunda etapa da vacinação será realizada em novembro; em 96, foi em outubro. Mas já a partir de 98 faremos em maio e novembro, para nos adaptarmos aos estados de São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, que fazem parte do circuito do Centro-Oeste’’.
A aftosa é uma virose transmitida de animal para animal através da água, de alimentos e da própria movimentação do rebanho. É um tipo de gripe que tem como sintomas feridas (aftas) no casco, úbere e boca. Não existe tratamento para a doença e o animal deve ser sacrificado. ‘‘É o rifle sanitário’’, diz Scardoelli.
A vacina custa R$ 0,45 a dose. O produtor deve pedir a nota fiscal - a segunda via é enviada pelas farmácias à Secretaria de Agricultura. Na região de Maringá existem 450 mil cabeças de bovilhos. O maior rebanho paranaense é da região de Umuarama, com 1,4 milhão de cabeças.
Brucelose O superintendente da DSA de Maringá afirma que o índice de brucelose no estado está situado entre 15% a 20% do rebanho. O governo mantém uma campanha de vacinação contra a doença durante todo o ano.
‘‘Todas as bezerras entre três a oito meses de idade devem ser vacinadas. A dose da vacina custa R$ 0,50 e só pode ser aplicada por veterinário’’, explica Scardoelli. É que a brucelose pode ser transmitida para o homem pela vacina, por isso ela deve ser manipulada por um especialista.
A brucelose é uma bactéria cujo único sintoma é o aborto por parte da fêmea. Os animais doentes devem ser sacrificados. Se for transmitida para o homem, através dos subprodutos do rebanho (leite, queijo etc), a bacteriose pode provocar aborto na mulher.

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