Curitiba – O governador Roberto Requião voltou a criticar, ontem, a posição do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento ao apontar a existência de focos do vírus da febre aftosa no Paraná que nunca foram confirmados. A crítica foi feita durante reunião do secretariado, no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba. As áreas que estão no entorno dos supostos focos da doença permanecem sob investigação e segundo o secretário da Agricultura e do Abastecimento, Newton Pohl Ribas, o órgão federal deve anunciar, nos próximos dias, o resultado da análise laboratorial.
  Só após a divulgação dos exames, será feita a liberação destas propriedades para a vacinação dos rebanhos contra a doença. ‘‘Nós estamos sendo sacrificados pelo Ministério da Agricultura e por essa visão caolha e vesga, sem antes ter sido constatada a doença no Paranᒒ, disse Requião. ‘‘Nós estamos sendo penalizados apesar de sermos o único estado do Brasil a ter feito a vacinação anterior a todo esse processo, atingindo a 97,6% do rebanho. Vejam o que significa para o Estado a rigorosa burrice e irresponsabilidade do Ministério Nacional da Agricultura’’, finalizou o governador.
  O secretário Newton Ribas ainda afirmou que a recente descoberta de foco da febre aftosa no município de Japorã, no Mato Grosso do Sul, na fronteira do Paraná, deixou o Estado em absoluto alerta. ‘‘Isso é muito preocupante por estar muito próximo da divisa, no município de Guaíra. Gostaria de lembrar que dos 33 mil animais sacrificados no Mato Grosso do Sul, cerca de 22 mil estão em Japor㒒, enfatizou ele, que acrescentou a realização de um trabalho permanente de controle dos animais procedentes de outros estados nas trinta barreiras fixas. O controle é feito pela Empresa Paranaense de Classificação de Produtos (Claspar) e técnicos da Defesa Sanitária Animal. Também foi reforçada a fiscalização em todas as entradas e saídas para o Mato Grosso do Sul.
  Ainda ontem de manhã, Requião, o vice-governador, Orlando Pessuti e Ribas fizeram o lançamento da primeira etapa da Campanha da Vacinação contra a febre aftosa, no município de São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba. Na reunião do secretariado, foi reforçada a estratégia de imunização total do rebanho do Paraná, que corresponde a 10,2 milhões de cabeças de bovinos e bubalinos. A campanha de 2006 será executada em dois momentos - o primeiro que começou ontem e vai até o dia 20 de maio, e o segundo, que acontece de 1º a 20 de novembro. O objetivo é aplicar duas doses da vacina em cada animal.
  ‘‘O Paraná é um dos poucos estados que faz a campanha em duas etapas com objetivo de realmente defender a nossa agropecuária contra a aftosa. Isso é uma regra internacional que está nos regulamentos da Organização Mundial da Saúde Animal. Nós adotamos o procedimento do Centro Panamericano de Combate a Febre Aftosa, que regula as ações de extermínio dessa doença no continente sul-americano’’, explicou Ribas.
  Na última vacinação, em novembro de 2005, foram vacinados 97,6% dos bovinos e nesta campanha a meta é atingir os 100%. A vacina contra o vírus é vendida pelas cooperativas da agroindústria e farmácias, pelo preço que varia entre R$ 0,90 e R$ 1 no mercado, de acordo com o secretário.

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