O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Amaury Bier, e o chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Altamir Lopes, acompanhados de outros assessores da equipe econômica do governo, embarcaram ontem para Washington, com o objetivo de concluir a revisão do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). O Brasil quer evitar que a demora na revisão das metas sirva como pretexto para um eventual atraso na liberação da segunda parcela de recursos, prevista para o fim de março.
Enquanto a equipe chefiada por Bier trabalha na definição do cenário econômico em Washington, em Brasília o secretário-executivo do Ministério do Orçamento e Gestão, Martus Tavares, reúne a equipe hoje e terça-feira, na definição dos cortes do Orçamento de 1999, que deverá ser sancionado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso até o dia 24. O Orçamento prevê um superávit primário de R$ 16 bilhões.
Cortes Dependendo do cenário macroeconômico sobre 1999, estes cortes poderão ser ainda maiores. Neste caso, porém, lembra um técnico, a saída será fazer os cortes na ‘‘boca do caixa’’.
Por conta do acordo firmado no fim de 1998, o Brasil recebeu a primeira parcela de US$ 9,3 bilhões. A segunda parcela de igual valor, tem desembolso previso para março. O pacote total de ajuda internacional ao País é de US$ 41,5 bilhões. A missão negociadora do FMI, chefiada pela diretora- adjunta do Departamento do Hemisfério Ocidental, Teresa Ter-Minassian, retornou aos Estados Unidos na sexta-feira, sem ter fechado com a equipe econômica brasileira, o cenário macroeconômico, que servirá de base para a definição das novas metas.
‘‘Como não se sabe, ainda, o ponto de equilíbrio do câmbio, fica difícil definir o parâmetro da inflação e taxa de juros’’, disse um membro da equipe econômica, que acompanha as negociações. Durante as discussões com a missão do Fundo Monetário, a equipe econômica trabalhou com diversas variáveis de inflação para definir uma projeção sobre arrecadação e novos cortes de despesas.
Inflação Uma das variáveis discutidas previa uma taxa de inflação no ano, na faixa dos 10% a 12% com o Produto Interno Bruto (PIB), apresentando queda de 3,5% este ano. A previsão inicial do governo era de uma queda no PIB de 1%. Alguns técnicos admitem a possibilidade de a inflação, no primeiro semestre, ficar em 15%. O grande problema, na opinião destes técnicos, é fazer a inflação cair no segundo semestre para a faixa de um dígito, como quer o ministro da Fazenda, Pedro Malan. ‘‘Será muito difícil manter a economia desindexada com uma inflação acima de 10%’’, afirma um dos técnicos envolvidos na discussão.
A expectativa é de que, na nova rodada de reuniões que a equipe brasileira terá com o fundo, seja possível definir um cenário mais plausível sobre a economia brasileira. Nestas discussões, será avaliada a possibilidade de adoção de um mecanismo de intervenção no câmbio para manter a taxa estabilizada, mas ainda não se sabe qual o nível ideal.

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