Começa na 6ª julgamento da Microsoft
Agência Estado
A Justiça americana marcou para sexta-feira a primeira audiência da ação antitruste do governo federal e 20 Estados, além do Distrito Federal, contra a Microsoft. Embora não exija a suspensão da distribuição do Windows 98 aos fabricantes, o processo visa impedir a venda do produto aos consumidores - o lançamento está previsto para 25 de junho, próxima segunda-feira - se a Microsoft não atender a pelo menos algumas exigências.
A principal condição é que a empresa retire do sistema operacional seu software de navegação na Internet, o Explorer 4.0, ou inclua no sistema o software do concorrente, o Navigator, da Netscape. Cerca de dois terços das cópias de Windows 98 deverão chegar ao consumidor já embutidas nos microcomputadores, um sistema chamado bundling (empacotamento). Os fabricantes de microcomputadores fazem centenas de parcerias com software-houses para empacotar em seus micros, ainda na fábrica, diferentes programas.
O que a Microsoft tem feito sistematicamente e de forma cada vez mais agressiva, à medida que seu monopólio no mercado de sistemas se consolida, é vincular o fornecimento do Windows à aceitação de outros programas e produtos (seus ou de seus parceiros) pelos fabricantes de computadores.
Em 1995, quando, pela primeira vez, o Departamento de Justiça (DJ) chegou muito perto de mover uma ação antitruste contra a empresa, as duas partes acabaram assinando um acordo pelo qual a Microsoft se comprometia a evitar amarrar uns produtos aos outros, o que é especificamente proibido pelo Sherman Act, a lei antitruste. No caso atual, porém, a Microsoft alega que o Explorer não é um produto separado, mas parte do sistema operacional.
Todos os analistas da indústria que tiveram acesso às versões experimentais do Windows 98 são unânimes em afirmar que a única diferença relevante da versão anterior é precisamente essa integração profunda do browser com o Windows. Ou seja, os dois produtos, browser e sistema operacional, estão tão amarrados que a exclusão do browser torna o sistema operacional inoperante.
Essa opção da Microsoft revela claramente sua indiferença às ações do governo, que em dezembro do ano passado já ganhara, em primeira instância, um processo para separar o browser do Windows 95.

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