Marcelo AlmeidaNova OportunidadeSecretário da Agricultura Antonio Poloni e o superintendente do BB, Derci Alcântara durante entrevistaA partir de hoje, os produtores rurais com dívidas contraídas no Banco do Brasil até 20 de junho de 1995 e que não foram enquadrados no processo de securitização das dívidas, podem procurar as agências do banco para renegociá-las. A maior parte dessas dívidas é superior a R$ 200 mil, mas também os produtores com dívidas menores e que perderam a oportunidade da securitização têm a última chance para solucionar o débito. O prazo para renegociação vai até 31 de julho.
‘‘A renegocição ocorrerá em condições vantajosas para os produtores’’, afirma o superintendente do BB, Derci Alcântara. Segundo ele, o produtor terá o saldo devedor das dívidas pendentes recalculado, com a eliminação de juros de mora e da multa. Dependendo do período que foi contraída a dívida, o saldo devedor pode cair mais da metade, podendo chegar até a um terço do valor. Poderão ser revistas também as operações já renegociadas e que o produtor não teve condições de quitar o débito.
Para acertar os detalhes da renegociação, estiveram reunidos ontem, na superintendência do BB, o secretário da Agricultura, Antonio Leonel Poloni, e representantes da Faep, Fetaep, Emater e Ocepar. Para Poloni, a renegociação das dívidas vai dar um fôlego ao produtor rural, mas a solução para a falta de investimentos no setor agrícola depende de uma definição de crédito por parte do governo federal.
No Paraná, a superintendência do BB calcula que os débitos acima de R$ 200 mil somam R$ 580 milhões e envolvem 5,1 mil operações. A maior parte dos débitos, segundo Alcântara, é do setor agrícola. O superintendente do BB ressalvou que o Paraná é o Estado com a menor inadimplência no País - da ordem de 0,5% do total emprestado, a partir da safra de inverno de 1996. As dívidas superiores a R$ 200 mil em todo o País somam R$ 8,2 bilhões e 59 mil operações.
Quem optar pela renegociação especial vai comprar títulos do governo no valor de 10% da dívida e poderá quitar o saldo em 20 anos, pagando a correção do valor principal. Os juros poderão variar de 8% a 10%, conforme o total do débito, mais a correção pelo IGP-M. Quem utilizou o cheque especial para saldar dívidas oriundas do crédito rural também poderá ser enquadrado na renegociação. O BB quer que outros agentes financeiros adotem esse processo.

mockup