Curitiba - Foi lançada, ontem de manhã, na Fazenda Frankanna, em Ponta Grossa, aquela que pode ser a última campanha de vacinação contra febre aftosa no Paraná. Em substituição à vacinação, a Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab) vai implantar, em parceria com entidades da iniciativa privada, um sistema de vigilância e controle de para restrição de trânsito e de importação de animais de outros estados. O objetivo é que o Ministério da Agricultura reconheça o Paraná como área livre de febre aftosa sem vacinação, status que abriria novos mercados para a carne produzida no Estado.
A campanha vai ser desenvolvida durante todo o mês de maio. O objetivo é vacinar toda a população de bois e búfalos considerados jovens, ou seja, entre 0 a 24 meses de idade. Isso significa cerca de 4,6 milhões de cabeças, quase a metade do rebanho total do Estado, que é de 9,6 milhões de bovinos e bubalinos. A vacinação é obrigatória e o produtor que não imunizar seu gado estará sujeito a sanções.
''Estamos trabalhando para que esta seja a última campanha. Para isso, o Estado ainda tem uma etapa a cumprir, que é a contratação de pessoal para implantar um sistema mais eficiente de vigilância'', explica Marco Antonio Teixeira, chefe do Departamento de Fiscalização e Defesa Agropecuária da Seab. Ainda em maio, a secretaria contratará aproximadamente 340 funcionários, já concursados, para trabalhar na fiscalização. Destes, 43 são para reposição de servidores. Os outros 300 vão ocupar cargos novos na área de fiscalização, em especial nas barreiras de controle de trânsito animal interestadual.
''Vamos deixar de trabalhar com o hospedeiro, na vacinação, para trabalhar direto no meio ambiente'', diz Teixeira. A Seab já encaminhou o pedido de reconhecimento ao ministério no início de março, logo depois que o Conselho Estadual de Sanidade Agropecuária (Conesa) avaliou os procedimentos de controle da doença adotados pelo governo estadual e aprovou a suspensão da vacinação.
Apesar da iniciativa contar com o apoio de várias entidades representativas do setor, como a Federação da Agricultura do Paraná (Faep), por exemplo, a Associação Nacional dos Produtores de Bovinos de Corte (ANPBC) vê a medida com preocupação. O presidente da entidade, José Antonio Fontes, ressalta que a associação é ''favorável'' a que o Estado obtenha o status livre de aftosa sem vacinação. Ele acredita, no entanto, que está havemdo ''precipitação''.
Ele explica que a ANPBC, que é integrante do Conesa, condicionou seu voto na reunião, defendendo que antes de suspender a vacinação o Estado dê um prazo para que pecuaristas e demais elos da cadeia estejam informados e preparados para a mudança. Ele defende que a medida seja precedida por um amplo debate, envolvendo governo, pecuaristas, frigoríficos e outros envolvidos para que todos tomem conhecimento de seus deveres e obrigações com a decisão.
''Parece que querem fazer política com o patrimônio dos outros, porque se tiver um caso de aftosa depois que acabar a vacinação, quem vai pagar a conta vão ser os produtores'', diz. Em nota divulgada no site, a ANPBC é ainda mais enfática: ''O patrimônio construído pelos pecuaristas ao longo dos anos não poderá ficar à mercê de medidas motivadas por interesses políticos de um governo, principalmente num momento de transição de governos estadual e federal que o atropelo dos fatos poderá repetir o desastre de 2005''.
O Paraná tem, hoje, status como área livre de febre aftosa com vacinação. A União Europeia, por meio da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) voltou a reconhecer esta condição do estado em maio de 2008. Com o reconhecimento, ela pôs fim a um período de 2,5 anos em que o Paraná foi penalizado com a suspensão das exportações por causa do surgimento de suspeitas da doença no Estado. Os prejuízos foram avaliados em US$ 300 milhões.
O Paraná já havia obtido o reconhecimento internacional da OIE em 2000, mas perdeu a condição em outubro de 2005, diante da entrada de animais no Estado vindos de cidades do Mato Grosso do Sul que apresentavam focos de febre aftosa.

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