Começa a guerra do Paraguai contra os produtos falsificados
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terça-feira, 04 de fevereiro de 1997
Antônio França Sucursal de Foz do Iguaçu 
Arquivo FolhaIlegalOs artigos falsificados são vendidos principalmente pelos camelôs, mas também estão disponíveis nas lojasO governo paraguaio deu início oficial ontem à campanha contra a falsificação de produtos, através de uma comissão de alto nível formada por representantes do Ministério da Indústria e do Comércio, da Polícia Nacional e da Secretaria Nacional Antidrogas e Contrabando (Senad). Na sexta-feira, esses representantes realizaram uma reunião final para avaliação das estratégias e, segundo o ministro da Indústria e do Comércio, Ubaldo Scavone, esses órgãos vão investigar, identificar e intervir nos pontos de pirataria.
A comissão, além de Scavone, conta com a participação do comissário geral da Polícia Nacional, Mário Agustin Sapriza e o titular da Senad, Carlos Ayala Gonzales. Técnicos e peritos do ministério vão percorrer sigilosamente as lojas e os camelôs, principalmente os de cidades de fronteira, como Ciudad del Leste (na fronteira com o Brasil), e têm poder de apreender toda mercadoria suspeita.
Apreendida a mercadoria, será instaurado um inquérito para investigar sua origem. Se for fraudulenta, o governo primeiramente cassará a licença de funcionamento da loja, podendo determinar em seguida a prisão do comerciante. O inquérito também procurará identificar o fabricante falsificador, que igualmente poderá ter prisão expedida.
A comissão também está investigando denúncias como a da existência de um foco de falsificações instalado na cidade fronteiriça de Encarnación (Argentina). O local, que pertenceria a um magistrado paraguaio até agora identificado como Ramirez, seria responsável pela fabricação de mercadorias falsas, e estaria prestes a ser transferido para Assunção.
Na Capital - diz a denúncia - Ramirez atuaria fortemente na falsificação de fitas de video e outro eletrônicos e para informática. Segundo fontes paraguaias, o falsificador está para ser preso a qualquer momento.
O Paraguai não confirma pressões exercidas pelos Estados Unidos para acabar com a pirataria, mas fontes ligadas ao governo informam que empresas multinacionais estariam se negando a se estabelecer no País temendo que suas mercadorias sejam confundidas com as falsificações. De qualquer forma, o Paraguai continua na lista negra americana que denuncia falsificadores.
MáfiaAo mesmo tempo em que põe a campanha na rua, o alto escalão do governo paraguaio está investigando sucessivos roubos de mercadorias importadas dos depósitos do Porto de Assunção. Segundo fontes do Administração Nacional de Navegação e Portos (ANNP), os roubos estariam sendo praticados por despachantes e corretores de seguro. O chefe do Departamento de Segurança da ANNP, Cesar Cruz, acredita que os roubos podem ser forjados apenas para que empresas recebam o seguro das mercadorias.
No primeiro balanço de entrada de mercadorias no País em 97, a Direção Nacional de Aduanas (DGA) do Paraguai apontou que janeiro registrou uma queda de 10% em relação ao mesmo período do ano passado. O ingresso aduaneiro em janeiro de 96 foi US$ 11 milhões contra US$ 10 milhões no primeiro mês deste ano.


