Arquivo FolhaIlegalOs artigos falsificados são vendidos principalmente pelos camelôs, mas também estão disponíveis nas lojasO governo paraguaio deu início oficial ontem à campanha contra a falsificação de produtos, através de uma comissão de alto nível formada por representantes do Ministério da Indústria e do Comércio, da Polícia Nacional e da Secretaria Nacional Antidrogas e Contrabando (Senad). Na sexta-feira, esses representantes realizaram uma reunião final para avaliação das estratégias e, segundo o ministro da Indústria e do Comércio, Ubaldo Scavone, ‘‘esses órgãos vão investigar, identificar e intervir nos pontos de pirataria’’.
A comissão, além de Scavone, conta com a participação do comissário geral da Polícia Nacional, Mário Agustin Sapriza e o titular da Senad, Carlos Ayala Gonzales. Técnicos e peritos do ministério vão percorrer sigilosamente as lojas e os camelôs, principalmente os de cidades de fronteira, como Ciudad del Leste (na fronteira com o Brasil), e têm poder de apreender toda mercadoria suspeita.
Apreendida a mercadoria, será instaurado um inquérito para investigar sua origem. Se for fraudulenta, o governo primeiramente cassará a licença de funcionamento da loja, podendo determinar em seguida a prisão do comerciante. O inquérito também procurará identificar o fabricante falsificador, que igualmente poderá ter prisão expedida.
A comissão também está investigando denúncias como a da existência de um foco de falsificações instalado na cidade fronteiriça de Encarnación (Argentina). O local, que pertenceria a um magistrado paraguaio até agora identificado como ‘‘Ramirez’’, seria responsável pela fabricação de mercadorias falsas, e estaria prestes a ser transferido para Assunção.
Na Capital - diz a denúncia - Ramirez atuaria fortemente na falsificação de fitas de video e outro eletrônicos e para informática. Segundo fontes paraguaias, o falsificador está para ser preso a qualquer momento.
O Paraguai não confirma pressões exercidas pelos Estados Unidos para acabar com a pirataria, mas fontes ligadas ao governo informam que empresas multinacionais estariam se negando a se estabelecer no País temendo que suas mercadorias sejam confundidas com as falsificações. De qualquer forma, o Paraguai continua na lista negra americana que denuncia falsificadores.
MáfiaAo mesmo tempo em que põe a campanha na rua, o alto escalão do governo paraguaio está investigando sucessivos roubos de mercadorias importadas dos depósitos do Porto de Assunção. Segundo fontes do Administração Nacional de Navegação e Portos (ANNP), os roubos estariam sendo praticados por despachantes e corretores de seguro. O chefe do Departamento de Segurança da ANNP, Cesar Cruz, acredita que os roubos ‘‘podem ser forjados apenas para que empresas recebam o seguro das mercadorias’’.
No primeiro balanço de entrada de mercadorias no País em 97, a Direção Nacional de Aduanas (DGA) do Paraguai apontou que janeiro registrou uma queda de 10% em relação ao mesmo período do ano passado. O ingresso aduaneiro em janeiro de 96 foi US$ 11 milhões contra US$ 10 milhões no primeiro mês deste ano.

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