As cooperativas dos Campos Gerais, conhecidas pela sua eficiência e qualidade da mercadoria que colocam no mercado, promovem uma ação inédita e consolidam o primeiro grande projeto de fusão no Paraná. A fusão das cooperativas Arapoti, Batavo e Castrolanda, conhecidas como ABC, deverá ser seguida por outras cooperativas, inaugurando novos tempos, conforme o diretor da Ocepar, José Roberto Ricken.
A fusão foi decidida sábado em assembléia da Cooperativa de Castrolanda, com 76% de aprovação. Nas cooperativas Arapoti e Batavo, a assembléia resultou na aprovação do projeto por ampla maioria, quase 90% dos associados. As três cooperativas têm 1.700 associados. Em janeiro de 98, o projeto deve estar consolidado, prevê o presidente da Fundação ABC, Richard Borg.
O objetivo da fusão é reduzir custos com uma estrutura mais ágil e enxuta. Espera-se uma economia de US$ 6 milhões a partir do terceiro ano, segundo Borg. O lucro dos primeiros anos será investido no projeto. O preço da reestruturação não foi revelado.
O enxugamento será acentuado nos setores administrativo e técnico, prevê Borg. As três fábricas de ração sob o domínio de cada cooperativa serão fundidas numa só. As três cooperativas empregam 900 funcionários e, numa primeira fase de reestruturação, o quadro será reduzido em 300 funcionários.
O processo prepara o setor para as exportações. As três cooperativas movimentam R$ 230 milhões; o alvo é abrir caminho para exportar carnes e ampliar a exportação de soja. As cooperativas comercializam grãos, leite e derivados, suínos e frangos.
Borg quer aumentar a produção de escala para negociar grandes volumes. Segundo Borg, grandes importadores só negociam em grande quantidade: ‘‘é preciso ter oferta para atender esse segmento’’. Se o Brasil não se alertar para essa oportunidade e ocupar espaços no mercado mundial, outros países saem na frente, advertiu. Esta consciência motivou os associados das cooperativas a decidirem pela fusão.
Para a segunda etapa de reestruturação foi constituído um grupo composto pelos presidentes e vice-presidentes das três cooperativas para traçar a diretriz e estabelecer o estatuto e as regras da nova cooperativa. Está sendo avaliada a proposta de terceirização do departamento técnico para a Fundação ABC, mantida por elas, explicou Borg.
O processo de reestruturação será acompanhado pela empresa de consultoria Agriment, especializada no setor agrícola e de alimentação. A empresa já realizou 30 processos de fusão no Leste Europeu, América Latina e Ásia. Mas a medida que surgirem gargalos em setores específicos como financeiro e administrativo, outras consultorias deverão ser contratadas.

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