As primeiras lavouras de trigo do Paraná começaram a ser colhidas nesta semana. Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), os trabalhos iniciaram pelas regiões de Cascavel, Toledo, Maringá e Francisco Beltrão. A estimativa é que 0,7% da área de 1.317.483 já tenha sido colhida. A produção estimada é de 3,245 milhões de toneladas.
O engenheiro agrônomo Otmar Hubner, do Deral, afirmou que a produtividade média destas primeiras lavouras ficou em 1550 quilos por hectare (ha). O número é baixo diante da estimativa inicial de 2,4 mil quilos por ha prevista para o Estado. De acordo com o técnico, são áreas que foram prejudicadas pelo clima desfavorável. No ano passado, a produtividade obtida foi de 2,6 mil quilos por ha.
O excesso de chuvas e a variação da temperatura favoreceram a proliferação de doenças fúngicas como a bruzone. Parte do potencial de produção das regiões Norte, Centro-Oeste e Oeste foi comprometido, por isso, pode ser que as estimativas não se confirmem. A colheita do trigo se encerra em novembro.
O setor produtivo, liderado pelas cooperativas, começa a se preocupar com a comercialização da safra. No final do mês, o Organização das Cooperativas Paranaenses (Ocepar) realizará um fórum sobre a cadeia produtiva para discutir o problema.
O engenheiro agrônomo Robson Mafioletti, assessor técnico econômico da entidade, afirmou que deve haver dificuldades na negociação do produto colhido no Estado. No ano passado, problemas climáticos enfrentados pela Argentina e pela Europa elevaram o preço da tonelada para até US$ 170,00. Este ano, porém, o quadro não deve se repetir.
Uma das principais reivindicações do setor é o estabelecimento de políticas governamentais de apoio à comercialização. As medidas incluem o lançamento de Linhas Especiais de Crédito para Comercialização (LEC) e contratos de opção de venda para garantia de preço mínimo.
Ontem, a saca do trigo ao produtor fechou cotada a R$ 25,00 no Paraná. Em junho, a cotação era de R$ 30,00, mesmo valor do custo total de produção no Estado.

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