ALTA NA BOMBA Combustível terá novo aumento até julho Simone Calvacanti Agência Estado De Brasília O governo deverá conceder um novo aumento para o preço dos combustíveis na refinaria até julho, segundo informaram à Agência Estado técnicos da área econômica. Esse reajuste será necessário para tentar equilibrar o saldo da Parcela de Preço Específica (PPE) – diferença entre os custos de importação de petróleo e o preço cobrado no mercado interno – que tem sido deficitário há cinco meses consecutivos. O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Amaury Bier, ao anunciar o reajuste de 7% no final de fevereiro, já havia indicado que aquele, provavelmente, não seria o último aumento neste semestre. ‘‘É melhor fazer aumentos graduais nos preços, de acordo com as perspectivas do mercado internacional, para que não haja impacto na inflação’’, afirmou um técnico do Ministério da Fazenda. É para evitar elevações acentuadas nos índices de preços que o governo evitou reajustar os combustíveis quando a cotação do petróleo entrou em alta no mercado internacional. ‘‘É preciso cautela, ainda mais agora que temos de cumprir a meta de 6% de inflação’’, explicou o técnico. ‘‘Não é possível dar um porcentual alto de uma só vez.’’ Em julho do ano passado, por exemplo, o governo fez um reajuste de 18,01% – o porcentual mais alto do ano – nas refinarias depois de observar que o saldo mensal da PPE tinha se reduzido pela metade. O repasse para os consumidores foi imediato e os índices de preços captaram um salto de 0,92% no preço da gasolina em junho para 12,99% no sétimo mês do ano. Essa elevação, aliada aos aumentos nas tarifas públicas naquele mês, acendeu um sinal amarelo em relação à inflação. Apesar da preocupação com as variações dos índices inflacionários, o governo precisa, mesmo que seja aos poucos, reverter o saldo da conta petróleo, que inclui a PPE. Em dezembro de 98, a conta arrecadava cerca de R$ 400 milhões por mês; um ano depois, em dezembro de 99, estava negativa em mais de R$ 300 milhões. A conta petróleo é usada para ajudar na obtenção do superávit primário previsto no acordo fechado entre o governo e o FMI. Por causa da desvalorização do real e das oscilações de preço do barril de petróleo no mercado internacional, a conta petróleo fechou o ano de 99 com superávit de R$ 2,342 bilhões, R$ 1,1 bilhão abaixo do estipulado no Orçamento. O governo tem optado por reajustes graduais porque os aumentos da gasolina acabam sendo diluídos e, em alguns casos, revertidos. É o que indica levantamento feito pelo secretário de Acompanhamento Econômico, Cláudio Considera. Ele mostra que, embora os reajustes autorizados na refinaria entre janeiro e dezembro do ano passado tenham sido de 62,15%, os índices de preço ao consumidor captaram aumentos menores cobrados na bomba de gasolina. De acordo com a Fundação Instituto de Pesquisa Econômica (Fipe), que mede os aumentos na cidade de São Paulo, os consumidores arcaram, em 99, com um reajuste de 47,25% na gasolina, ante elevação de 51,01% registrada pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do IBGE. No ano passado, a gasolina aumentou seis vezes.

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