O governo deve reajustar o preço dos combustíveis no início de julho. A Parcela de Preços Específica (PPE) – diferença entre o preço de venda dos combustíveis nas refinarias brasileiras e o preço internacional dos derivados de petróleo – deve fechar o mês com saldo negativo, o que deixaria o governo ‘‘praticamente sem alternativa’’.
Pelos cálculos do mercado, o reajuste deveria ficar acima de 10%, mas a expectativa geral é de que, temendo um impacto maior nos índices de inflação, a equipe econômica opte por um reajuste mais moderado, no nível de 5%. Assim, evitaria uma pressão muito acentuada nos índices de custo de vida.
‘‘Estamos acompanhando dia a dia a evolução do câmbio e do preço do petróleo, mas ainda não há uma definição sobre o reajuste dos combustíveis. No dia 7 de julho alguma coisa irá acontecer’’, diz Claudio Considera, secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda.
Foi idealizada por ele a fórmula por meio da qual o governo pode reajustar trimestralmente o preço da gasolina. O cálculo, fixado em novembro do ano passado, leva em conta a cotação do petróleo tipo Brent e a oscilação do dólar frente ao real. Em abril, quando foi utilizada pela primeira vez, esta fórmula resultou numa redução de 5,51% no preço da gasolina.
Adriano Pires, assessor da diretoria da Agência Nacional do Petróleo (ANP), acredita que o governo cometeu um erro de cálculo. ‘‘A equipe econômica incorreu em grande risco ao apostar que o preço do petróleo iria baixar ao longo do ano de 2001, anunciando uma queda progressiva no preços dos combustíveis para este ano’’, diz ele.
Além disso, ele comenta que a equação utilizada para cálculo do reajuste atrela dois itens a parâmetros distintos: o preço de faturamento (valor de venda nas refinarias) é ligado à cotação do barril de petróleo enquanto o preço de realização (o valor pago pelas refinarias) é vinculado ao preço dos derivados de petróleo da costa do golfo americano. E os dois nem sempre caminham na mesma direção.
A portaria em vigor não obriga o governo a reajustar, quando a conta aponta para aumento de preços. A redução, sim, é compulsória, como a que ocorreu em abril. Fábio Silveira, analista de petróleo da consultoria Tendências, diz que, se fosse aplicada hoje, a fórmula indicaria um aumento de 10,3% no preço dos combustíveis. ‘‘Como já estão contabilizados 80 dias, esse índice não mudará muito até a data da decisão’’, diz ele. Silveira não acredita, porém, num repasse integral.
‘‘É provável que o governo acabe não fixando o aumento por esta fórmula, mas é possível que adote uma parte, para não comprometer suas metas fiscais e as contas públicas’’, diz ele, fazendo coro à maioria dos empresários do setor e técnicos que afastam a possibilidade de aumento acima do nível de 10%.
Alísio Vaz, diretor da Distribuidora Ipiranga, a segunda maior do ranking (perde apenas para a BR, da Petrobras), também prevê que haverá aumento. ‘‘Reajuste terá de haver, senão as metas do governo vão ser prejudicadas’’, diz. Mas, entre comprometer as metas e correr o risco de impulsionar a inflação, ele acredita que a equipe econômica ficará no meio termo. ‘‘A PPE vai ficar negativa este mês, mas o governo não poderá dar todo o reajuste. Acho que vai ficar entre 5% e 10%’’, afirma.

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