Arquivo FolhaSem tabelaGás de cozinha deve subir em média 10% para o consumidor a partir de amanhã. O reajuste dos combustíveis vai variar de acordo com a região e a distribuidoraNOVA ALTA
Combustível sobe no4º aumento do ano
A partir de amanhã, preços deverão estar em média 10% mais altos. Derivados de petróleo já subiram 48,16% em 99

Agência Estado
Os preços dos combustíveis estarão cerca de 10% mais altos para os consumidores a partir da zero hora de amanhã. O governo anunciou ontem o quarto e maior reajuste do ano para os derivados de petróleo, que tem por objetivo compensar o aumento de custos com a desvalorização cambial e a subida dos preços internacionais do petróleo. Com as medidas divulgadas ontem, desde janeiro os derivados de petróleo ficaram 48,16% mais caros.
Nas refinarias, os preços estarão 18% mais altos para a gasolina, diesel, gás de cozinha e da nafta petroquímica. O reajuste será ainda de 4% para os óleos combustíveis. Para o consumidor final, os valores do ajuste vão depender da reação de cada empresa distribuidora e da região onde ele está. Na maioria dos Estados, como São Paulo e Rio de Janeiro, o preço da gasolina está liberado.
O vice-presidente da Federação Nacional do Comércio Varejista de Combustíveis (Fecombustíveis), Aldo Guarda, afirmou ontem que o reajuste no preço da gasolina na bomba poderá ser ainda maior. Ele alega que várias distribuidoras de combustíveis ainda não repassaram os custos com o aumento de cerca de 66% do álcool anidro (que compõe 24% da gasolina), ocorrido no início deste mês, porque ainda tinham estoques.
Sem mencionar esta questão do álcool, o Ministério da Fazenda estima que o gás de cozinha (GLP) irá subir em média 10% para o consumidor, onde ele é liberado, e a gasolina, em torno de 9,7%. Nas 20 capitais onde o GLP ainda é tabelado, o Ministério da Fazenda estima que o aumento será de 7,7%. O reajuste do óleo diesel, cujos preços são tabelados em todo o País, terá variação média 14,12%.
O reajuste ainda está aquém do custo dos produtos, afirmou ontem o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), David Zyblersztajn. A gasolina continua mais barata do que estava no ano passado, disse.
O repasse integral destas variações aos preços internos dos derivados exigiria reajustes da ordem de 98% para a gasolina, afirma a nota do Ministério da Fazenda. Como este novo reajuste ainda não compensou toda a variação de custos nos preços do petróleo este ano, é possível supor que ainda devem ocorrer novos aumentos.
O governo justifica este aumento para tentar manter as metas de superávit para os derivados de petróleo, previsto no Programa de Estabilidade Fiscal, anunciado no ano passado e parte do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). O governo se comprometeu a apresentar um superávit anual de cerca de R$ 4,9 bilhões (o equivalente a R$ 412 milhões por mês) na Parcela de Preço Específica (PPE).
Segundo dados da ANP, a arrecadação da PPE - que subsidia o frete de combustíveis e o álcool, paga a chamada Conta Petróleo (devida pela União à Petrobrás) e compensa as oscilações do preço internacional do produto - estava em cerca de R$ 300 milhões em maio.
Havia uma tendência de queda nesta arrecadação, pois o valor de maio foi cerca de R$ 100 milhões menor em relação ao de abril. Com o reajuste de ontem, a arrecadação mensal da PPE poderá aumentar mais R$ 54 milhões.
Em dezembro e janeiro, logo depois de mais um aumento nos preços dos derivados e o fim de vários subsídios, a PPE chegou a arrecadar R$ 600 milhões e quase R$ 700 milhões, respectivamente. Com a desvalorização cambial de janeiro, o governo usou os recursos da PPE para não aumentar imediatamente os preços dos combustíveis e a arrecadação caiu para cerca de R$ 220 milhões.
Para compensar esta perda, foi definida uma política de ajustes parciais nos preços dos derivados. O primeiro ocorreu em março e foi de 11,5% nas refinarias. O segundo, com o mesmo porcentual de aumento, ocorreu em abril. Antes, em fevereiro, foi autorizado um ajuste de 1,5% nos preços dos combustíveis em razão da alteração na alíquota da Cofins.

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