Combustível sobe até 33% em Londrina
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quinta-feira, 16 de novembro de 2000
Cláudia Lopes De Londrina 
A maioria dos postos de Londrina aumentou ontem os preços dos combustíveis. Os novos valores são baseados numa planilha feita pelo Pacto Público Movimento Cívico pela Ética e Moralidade nos Combustíveis, lançado pela Associação dos Revendedores de Combustíveis do Norte do Paraná (Arcom), que determinou um piso mínimo de R$ 1,5148 para o litro da gasolina e de R$ 1,0420 para o litro do álcool.
Conforme pesquisa feita ontem pela reportagem da Folha, há posto na cidade vendendo gasolina por até R$ 1,55 e álcool por R$ 1,06. As médias de preços anteriores eram R$ 1,35 e R$ 0,78, respectivamente. O aumento, de 12% e 33%, gerou polêmica e desagradou consumidores, que interpretaram a alta como cartel.
Comerciantes que não aderiram ao acordo mantiveram os preços antigos, adotando uma margem de lucro menor do que a praticada pelos postos do Pacto. A margem recomendada pelo governo federal é de R$ 0,15 por litro de gasolina. O dono do Posto Manancial, Wilson Gomes de Lima, vendia ontem o litro da gasolina a R$ 1,39 e, do álcool, a R$ 0,78. Com o aumento de preço na maioria dos postos da cidade cerca de 80 dos 105 estabelecimentos em Londrina aderiram ao Pacto o estoque de álcool no Manancial acabou à tarde, disse Lima. Segundo ele, foram vendidos cinco mil litros do produto. No posto Shangri-lá, onde o álcool custava ontem R$ 0,79 e a gasolina R$ 1,38, também faltou combustível.
Meu preço será fixado de acordo com os meus custos, disse Wilson Lima. Uma boa margem para a gasolina no meu estabelecimento, que é pequeno e familiar, é de R$ 0,15, afirmou. Vou praticar o preço que eu achar correto. Não vou engolir uma determinação da Arcom. Cada posto tem que se adequar à sua administração e seus gastos, defendeu o empresário, que emprega oito pessoas e paga R$ 3,3 mil de aluguel do posto.
O presidente da Arcom, Ariovaldo Ferraz Arruda, disse que a fixação do piso mínimo é baseada num cálculo que considera o preço da gasolina na usina de R$ 0,5390, mais R$ 0,1692 de PPE (Parcela de Preço Específica), R$ 0,3968 de ICMS, R$ 0,1448 de Pis/Cofins, uma margem de R$ 0,05 nas distribuidoras e de R$ 0,2150 nas revendas. O preço do álcool foi determinado com base no pagamento de R$ 0,5650 na usina, R$ 0,1901 de ICMS, R$ 0,693 de Pis/Cofins e margens de R$ 0,05 na distribuidora e R$ 1,1676 nas revendas.
O advogado da Arcom, Moisés de Godoy, disse que o aumento simultâneo de preços pelos postos associados à Arcom não caracteriza cartel porque, nesse caso, havia uma situação de mercado irregular, irracional e anormal, ameaçando a sobrevivência das empresas do setor. Segundo ele, o realinhamento de preços é uma legítima defesa da classe, argumentou, na Redação da Folha.


