Combustível pode ter duas altas no mês
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quarta-feira, 27 de janeiro de 1999
Carmem Murara 
Os postos de combustíveis no Paraná estão prontos para reajustar o preço da gasolina e álcool na próxima segunda-feira, quando entra em vigor a nova alíquota da Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social). O repasse final para o consumidor será de 7,5% para a gasolina, 5,5% para o álcool e de 3,5% para o diesel, percentuais que ficarão acima da expectativa do governo federal que, anteontem, divulgou um aumento máximo de 3,8% para a gasolina. O aumento no preço do combustível não deve ser o único no mês, pois o comércio varejista já cogita o repasse da variação do dólar para o produto final.
A Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda descarta o reajuste do combustível por causa da desvalorização cambial, admitindo apenas o repasse da Cofins. A contribuição aumentará de 2% para 3% a partir da próxima segunda-feira. Mas, ao contrário do que espera o governo, os donos de postos estão prontos para alterar os números na bomba de combustível, segundo informou ontem o Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis.
Os donos dos postos não acreditam que a Petrobrás deixará de incorporar o aumento da Cofins aos seus produtos, apesar de isto ter sido cogitado ontem, em Brasília. Se não houver o repasse, vai ficar comprovado que a Petrobrás poderia estar cobrando menos, afirmou o presidente do Sindicombustíveis, Roberto Fregonese.
Hoje, o preço médio da gasolina na Região Metropolitana de Curitiba varia entre R$ 0,80 e R$ 0,98, enquanto o litro do álcool está na faixa entre R$ 0,68 e R$ 0,75. Com o reajuste, vamos ter gasolina sendo vendida por R$ 1,00 ou até R$ 1,20, conforme a localização do posto, disse o presidente do Sindicombustíveis.
A variação cambial pode representar um reajuste de mais R$ 0,12 ou até R$ 0,15 sobre o novo preço dos combustíveis. Segundo o Sindicombustíveis, hoje a margem bruta de lucro é de R$ 0,15 por litro.
Na JustiçaCerca de dois mil paranaenses que tinham carro em 1986 e 88 entraram com ações na Justiça para conseguir a devolução do imposto compulsório sobre combustíveis. As ações paranaenses estão sendo reunidas pelo escritório de advocacia C.A. Celli Advogados Associados, em Curitiba. O advogado Carlos Abrão Celli ajuizou ações de Execução de Título Judicial, na Justiça Federal, que totalizam R$ 2,2 milhões. Celli disse que pretende entrar com ações coletivas, reunidas em grupos de dez, até 1º de julho. O valor médio das ações é de R$ 1,1 mil por veículo.


