Os combustíveis poderão subir até 8% para o consumidor a partir de 1º de fevereiro, segundo estimativa da Federação Nacional do Comércio Varejista de Combustíveis (Fecombustíveis). A justificativa para o reajuste é o repasse do aumento da carga tributária, causado pela elevação da alíquota do PIS/Cofins de 2% para 3%. Segundo a direção da Fecombustíveis, o aumento não terá nenhuma relação com a mudança cambial, apenas a elevação tributária incidiria, em cascata, sobre o preço nas refinarias, distribuidoras e por último, nos postos de revenda.
Ontem, uma comissão de empresários do Sindicato dos Distribuidores de Combustíveis (Sindicom) esteve em Brasília, com o secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, para explicar que teriam de repassar o aumento, caso os preços nas refinarias fosse alterado. Ainda não há uma decisão da equipe econômica a respeito, mas é possível que seja adotado um mecanismo para absorver o impacto e não alterar o preço na refinaria.
O mais provável é que o governo opte por mexer na Parcela de Preço Específico (PPE), usada na formação do preço dos derivados. A PPE é uma espécie de taxa usada subsidiar o álcool e o transporte do combustível para localidades distantes das refinarias, como os Estados da Região Norte. A taxa foi elaborada de forma a deixar um colchão para absorver o impacto de flutuações de preço, para cima ou para baixo, sem a necessidade de repasse para o consumo.
Apesar do aumento no custo das importações, depois da desvalorização do real, a analista do Banco Icatu Ana Siqueira, especialista em petróleo, acredita que o governo deve manter o preço de faturamento dos combustíveis nas refinarias no patamar atual, para evitar um aumento substancial da inflação. Segundo projeção feita por ela, a Petrobrás terá um impacto de, pelo menos, R$ 1 bilhão este ano em suas contas, considerando a taxa de câmbio na média de R$ 1,50 por dólar.
Segundo a projeção, R$ 600 milhões a mais nas despesas viriam do aumento do custo das importações, considerando a média de preço internacional de US$ 13 o barril e a compra de 340 mil barris por dia de petróleo cru e mais 200 mil barris/dia de derivados. As dívidas com financiamento aumentariam em torno de R$ 400 milhões. Há, ainda um terceiro grande impacto no caixa, com relação aos investimentos mas, segundo Ana Siqueira, não há como calcular o efeito, sem a lista das encomendas dos equipamentos.

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