Brasília - A ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, garantiu ontem que não há, nem no governo, nem na Petrobras, a avaliação de que é necessário reajustar os preços dos combustíveis em decorrência dos últimos aumentos do preço do petróleo no mercado internacional.
''Não há dentro do governo e da Petrobras nenhuma evidência de que seja necessário fazer esse realinhamento, ainda'', afirmou.
Dilma disse que não existe analista do setor ou veículo da imprensa internacional que considere o atual patamar de preços definitivo. Ela observou, por exemplo, que os poços da Arábia Saudita não estão sofrendo ameaça, a situação política na Venezuela e na Nigéria está se estabilizando e as reservas russas são maiores do que as registradas. Os problemas existentes, segundo Dilma, são relacionados à empresa russa Yukos e à especulação em fundos de commodities.
O Brasil, disse ela, não está mais exposto às oscilações como estava no primeiro choque do petróleo, em 1973. ''Podemos perfeitamente não acompanhar movimentos especulativos'', afirmou. Mas Dilma esclareceu que se houver uma consolidação de preços em um novo patamar, os preços internos se ajustarão a ele.
Foi o que disse na terça-feira, o presidente da estatal, José Eduardo Dutra, que garantiu que a empresa ''não repassa para o consumidor brasileiro a volatilidade do mercado internacional''. Mas ele admitiu que se o preço do petróleo se mantiver por muito tempo próximo de US$ 45 o barril, poderá haver um novo ajuste. ''Estamos aguardando definição de patamares. Não sabemos se vai se consolidar o novo patamar entre US$ 40 e US$ 45 do preço do petróleo. Se isso acontecer, a Petrobrás, coerente com o que já vinha fazendo, vai fazer ajuste'', afirmou Dutra.
Essa foi a mesma estratégia usada no último aumento, de cerca de 11%, anunciado em junho, quando depois de meses de oscilação de preços, ficou estabelecido que o valor do barril no mercado internacional se estabeleceu em um patarmar entre US$ 35 e U$ 40.
Álcool - Apesar da alta dos preços do álcool no mercado interno, técnicos do Ministério da Agricultura descartam, por enquanto, a possibilidade de sugerir a redução da mistura do produto com a gasolina, atualmente de 25%. Com porcentual menor de adição, sobraria mais álcool para oferta direta nos postos de combustível, o que poderia levar a uma queda de preços. ''É inviável alterar o porcentual de mistura no meio da safra. O governo quer assegurar o abastecimento de álcool nos próximos anos. Não podemos desestimular a produção'', afirmou um técnico do ministério.
A mistura de álcool anidro à gasolina poderia ser reduzida para até 20% por decisão do Conselho Interministerial do Açúcar e Álcool (Cima), que é integrado pelos ministérios da Agricultura, Fazenda, Minas e Energia e Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

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