Combustível não deve subir até o fim do ano
PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de dezembro de 2004
Agência Estado 
Rio de Janeiro Pelo menos nos próximos 14 dias, o consumidor brasileiro não terá surpresas ao abastecer o carro. Ontem, o presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra, garantiu que não haverá reajustes nos preços dos combustíveis até o fim do ano. Os últimos reajustes nos preços dos dois produtos foram realizados no dia 26 de novembro. Dutra negou que o preço dos combustíveis no Brasil esteja acima do mercado internacional, segundo avaliam alguns analistas de mercado.
O diretor financeiro da estatal, Sérgio Gabrielli, disse que há um ''equilíbrio'' nas contas da estatal com relação aos preços dos derivados. Nas últimas semanas, petróleo e câmbio caíram a níveis bem menores do que antes dos reajustes e a empresa já começou a repassar a queda a outros combustíveis, como o querosene de aviação.
O consumo de combustíveis deve encerrar este ano 5% maior do que o ano anterior, segundo Dutra, na esteira da recuperação da economia. Para o diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa, haverá necessidade de refazer no planejamento estratégico da companhia as contas de demanda e oferta, com base neste novo patamar de crescimento. No planejamento estratégico da estatal, o crescimento médio previsto para cada ano é de 2,4%.
Segundo o diretor, o crescimento das vendas este ano foi estimulado, principalmente, pela demanda de gasolina, que aumentou em 5,7% e do diesel (7,7%). Também cresceu o consumo do QAV (6,9%) e de GLP (1,7%). Já a nafta apresentou queda de 1,2% e o óleo combustível, de 8%. Para 2005, a perspectiva é de repetir o crescimento deste ano.
Gabrielli explicou que o aumento do consumo é responsável, ao lado do alto preço do petróleo, pelo grande déficit da balança comercial do setor, que acumulou US$ 4,7 bilhões nos 12 meses terminados em outubro. O executivo disse que o preço do petróleo pesado, que é exportado pela Petrobras, caiu muito em relação ao petróleo leve, que o Brasil importa, em função do crescimento da demanda mundial por derivados leves e da falta de investimentos em refino mundial.


