Combustível mais caro surpreende
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terça-feira, 25 de outubro de 2016
Luís Fernando Wiltemburg<br>Reportagem Local 

Alegria de motorista dura pouco. Dez dias depois de a Petrobras anunciar redução nos custos do refino de petróleo, tanto a gasolina quanto o etanol ficaram mais caros em Londrina. O combustível fóssil subiu cerca de 1,4% nos postos em um mês e, no mesmo período, o etanol disparou 7,51%, segundo levantamentos da Agência Nacional do Petróleo (ANP).
A adição de álcool anidro na gasolina é uma das justificativas dada pelo Sindicombustíveis-PR (sindicato dos postos de combustíveis) para o não repasse da redução ao consumidor final.
A nova política de preços da Petrobras foi anunciada no último dia 14 e garantia que, a partir do dia 15 deste mês, o diesel custaria 2,7% menos e a gasolina sairia 3,2% mais barata nas refinarias. A estatal estimou que, se repassados integralmente ao consumidor, representaria uma redução de R$ 0,05 no litro de cada combustível.
Porém, em Londrina, a gasolina, que custava em média R$ 3,59 nos 21 postos pesquisados pela ANP na semana que acabou em 1º de outubro, era encontrado por R$ 3,64 na semana passada. O etanol, que tinha preço médio de R$ 2,53 até 1º de outubro, era encontrado por R$ 2,72 na semana passada.
Nas ruas, nesta segunda-feira, a gasolina já era encontrada por R$ 3,77 e o etanol já tinha batido R$ 3,05 em um estabelecimento da Avenida Rio Branco. Nos postos percorridos pela reportagem, o valor mais baixo do etanol foi R$ 2,67 e a gasolina, R$ 3,45.
Ainda no levantamento da ANP, o valor cobrado pelas distribuidoras que atendem os 21 postos pesquisados subiu, em média, cerca de 0,92% no caso da gasolina e 8% para o etanol para um reflexo nas bombas de 1,4% e 7,51%, respectivamente.
A assessoria de imprensa da Petrobras informou que, desde o anúncio da redução nas refinarias, houve a ressalva de que o preço final ao consumidor dependeria dos custos das distribuidoras e estabelecimentos.
O presidente do Sindicombustíveis-PR, Rui Cichella, justificou que, apesar do anúncio de redução do preço do petróleo brasileiro, o etanol subiu acima do esperado e a retração do combustível fóssil ainda não foi repassado pelas distribuidoras. "Pelo contrário, repassaram o aumento do etanol. A única vantagem [do anúncio da Petrobras] foi que a gasolina subiu menos", disse.
O Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom) alegou, por meio da assessoria de imprensa, que cada litro de combustível vendido nos postos de abastecimento tem o preço composto pelo valor de aquisição do produto, tributo, fretes, remuneração dos distribuidores e remuneração dos revendedores. Ainda afirmou que a parcela de maior peso é a do custo do combustível, seguida pela dos tributos. A ANP informou, via assessoria de imprensa, que apenas pesquisa, mas não regula os valores praticados por distribuidores e revendedores. Porém, ressaltou que, apesar de a Petrobras reduzir custos nas refinarias, o preço final tem outros fatores que podem influenciar, como a alta do etanol ou a distribuição de estoques anteriores ao anúncio da petrolífera.

Lado mais fraco
Enquanto isso, o consumidor, que esperava pagar menos para abastecer, segue sem entender o que houve. "Foi a mesma palhaçada, a mesma enganação de sempre, e quem paga é o consumidor final", reclama o empresário Marcos Aurélio Vicente. Há dois meses no ramo, o taxista Anselmo Salsedo também questiona por que a redução de custos não chega ao consumidor, mas também reclama dos preços praticados em Londrina. "A população não tem coragem de se manifestar", lamenta. Para ele, a alta no etanol vai representar mais custos para trabalhar.


