Agência Estado
de Brasília
Os preços dos combus tíveis sobem em média 9% a partir de zero hora do próximo sábado. O reajuste foi anunciado ontem em nota conjunta dos ministérios da Fazenda e das Minas e Energia e atinge também o óleo diesel. O documento esclarece, ainda, que o reajuste teria de ser maior, mas ficou abaixo dos 10% por determinação do presidente Fernando Henrique Cardoso.
O secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Cláudio Considera, disse que o reajuste estava programado desde o mês passado. Ele explicou que o aumento ocorrido em julho passado, de 18% na média, deveria ter sido de 31%. No entanto, o governo optou, na ocasião, por parcelá-lo. ‘‘Agora, não há mais nenhum aumento planejado’’, afirmou.
Os reajustes autorizados pelo governo foram de 9% para a gasolina e para o gás de cozinha, 7,5% para o diesel, 15,2% para a nafta petroquímica, 19,5% para o querosene de aviação e 20%, em média, para os óleos combustíveis. Esses percentuais, porém, referem-se aos preços cobrados na refinaria. ‘‘O aumento a ser efetivamente pago pelos consumidores será bem menor’’, afirma a nota divulgada pelos dois ministérios.
Pelos cálculos dos técnicos do governo, a elevação dos preços da gasolina na bomba deverá chegar ‘‘no máximo’’ a 6,5%. O diesel, por sua vez, ficará em média 5,6% mais caro. O gás de cozinha subirá 3,5% nas regiões de tabelamento.
Considera explicou que o preço ao consumidor sobe menos do que na refinaria por causa da composição de custos nos postos de gasolina e nas distribuidoras. ‘‘A matéria-prima é apenas um dos itens de custos na revendedora, por isso o aumento para o consumidor não será necessariamente de 9%’’, disse o secretário.
Ele disse desconhecer qual será o impacto do reajuste na inflação. ‘‘Como os preços são liberados, não sabemos exatamente quanto subirá em cada lugar’’, comentou. De qualquer maneira, segundo assegurou, o aumento nos preços dos combustíveis não prejudicará o cumprimento da meta de inflação, que é de 8% para este ano, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
A desvalorização do câmbio, em janeiro, e a elevação dos preços internacionais do petróleo, registrada a partir de março, são as principais responsáveis pela sucessão de aumentos autorizados aos preços dos combustíveis. Desde janeiro até agora, os reajustes médios autorizados pelo governo somam 62,3%. Nesse mesmo período, segundo levantamento feito pelo governo, o preço internacional da gasolina subiu 87%, o do diesel aumentou 60% e o do gás de cozinha, 77%.Gasolina deverá chegar ao consumidor com alta de 6,5%, em média; o preço final do diesel terá aumento de pelo menos 5,6%
Arquivo FolhaCONSOLOCláudio Considera, do Ministério da Fazenda, descarta novos reajustes: ‘‘Não há nada programado’’

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