A inflação de janeiro, medida pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), apresentou alta de 1,74%, superior em 1,01 ponto percentual à verificada em dezembro, informou ontem a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Embora tenha ficado abaixo dos 2% esperados por vários analistas, a taxa foi a maior já registrada desde agosto de 1995.
A elevação da inflação neste primeiro mês do ano deveu-se principalmente ao impacto do aumento dos preços dos combustíveis nos preços no atacado, a partir do final de dezembro. Como o IGP-M faz coleta de preços entre o dia 21 de um mês e 20 do seguinte, captou integralmente o efeito deste aumento. Além disso, o IGP-M tem como seu principal componente, com peso de 60% no resultado global, o Índice de preços por Atacado (IPA), que com isso passou de uma variação de 1,23% em dezembro para 1,93% este mês. No atacado, os bens de consumo encareceram 4,71%, justamente em função do aumento dos preços dos combustíveis.
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que representa 30% do IGP-M, foi o que teve a elevação mais intensa - embora, por conta do seu peso menor, tenha tido menos influência no resultado geral: pulou de uma alta de 0,01% no mês passado para 1,79%.
No varejo, as maiores influências deveram-se aos grupos educação, saúde e recreação e transportes. No primeiro caso, o novo ano letivo trouxe os aumentos das mensalidades escolares, que fizeram com que esse grupo sofresse um encarecimento de 5,47%. No caso dos transportes, o aumento das tarifas de transportes urbanos provocou uma alta de 4,55%.
Ainda no varejo, a alimentação, que no mês passado havia apresentado deflação de 0,74%, subiu 1,63%. Os grupos que menos subiram foram vestuário (0,05%), despesas diversas (0,27%), habitação (0,39%) e saúde e cuidados pessoais.
O Índice Nacional de Custo da Cosntrução (INCC), com peso de 10% no IGP-M, passou de 0,48% em dezembro para 0,68%, em decorrência de uma alta de 0,91% nos custos da mão-de-obra e de 0,45% nos de materiais de construção.

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