Combustível em Londrina sobe abaixo da média nacional
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quinta-feira, 04 de agosto de 2016
Luís Fernando Wiltemburg<br>Reportagem Local 


O valor do combustível em Londrina cresceu abaixo das médias nacional e do Paraná em julho, quando comparado com o mesmo mês do ano anterior. Os valores também caíram em relação a março, período em que valores cobrados pelos postos de combustíveis da cidade subiram, provocando ação fiscalizatória do Procon e Ministério Público que culminou com multas para 28 estabelecimentos.
Em nível nacional, a gasolina apresentou alta de mais de 10% e o etanol, acima de 17% em julho, quando comparado com o mesmo mês do ano anterior. O combustível à base de petróleo, que custava em média R$ 3,29 em julho de 2015 subiu para R$ 3,64 no mês passado. Nos mesmos meses, os preços cobrados pelo álcool foi de R$ 2,08 para R$ 2,45, em média.
À Confederação Nacional dos Transportes (CNT), que compilou os cálculos a partir das planilhas disponibilizadas pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), o economista e professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás (IFG) Adriano Paranaiba afirmou que, dentre os fatores que explicam esse movimento, está o efeito dos tributos, como PIS, Cofins, ICMS e Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide).
Também com base nos levantamentos semanais da ANP, é possível verificar um aumento médio no preço da gasolina praticado por postos no Paraná de 11,61% (foi de R$ 3,204 em julho de 2015 para R$ 3,576 em julho passado) e do etanol em 18,07% (de R$ 2,12 para R$ 2,503). Os valores são médias calculadas dos preços encontrados em 1.448 estabelecimentos de 30 cidades paranaenses em 2016 e em 2.529 postos de 31 cidades no ano passado.
Londrina, entretanto, foge dessa regra. De acordo com o site da ANP, o preço médio praticado por 169 postos no ano passado para a gasolina era de R$ 3,379 em julho. No mês passado, custava, em média, R$ 3,561 nos 82 estabelecimentos visitados. O etanol teve um resultado ainda mais significativo: caiu de R$ 2,376 no ano passado para R$ 2,349 em julho de 2016, uma retração de 1,14%.
Os resultados são bem diferentes do encontrado em cinco cidades da região. Em todas, houve aumento expressivo (confira no infográfico).
Proprietário de dois postos de combustíveis em Londrina, Diogo Decker afirma que uma série de fatores levou à retração, como a guerra de preços entre os estabelecimentos e a inauguração de postos ligados a redes de supermercados. "O foco deles não é só combustíveis, então, cobram até R$ 0,04 abaixo dos convencionais. Isso obriga os outros a acompanharem", afirma. Ele também considera que a multa aplicada a 28 postos na semana passada pelo Procon também influenciou na decisão dos proprietários.
APÓS FISCALIZAÇÃO
Os preços de combustíveis encontrados em Londrina em julho eram bem diferentes dos constatados em março deste ano, quando o preço do etanol variava de R$ 2,599 a R$ 2,999 e a gasolina, de R$ 3,499 a R$ 3,999, como mostrou a FOLHA em 28 de maio. A alta de R$ 0,30, conforme documentos obtidos pelo MP, motivou a abertura de procedimento fiscalizatório em conjunto com o Procon e outras entidades.
Em maio, quando 28 postos de combustíveis foram notificados a justificarem a disparada de preços, os valores já haviam caído. Na semana passada, o Procon multou os 28 estabelecimentos pela alta que ocorreu, segundo a entidade, sem aumentos de custos ou de impostos ou escassez de produtos que justificassem a remarcação.
Deker, que não foi multado, discorda da argumentação de alinhamento de preços, uma das suspeitas do Procon. "Isso é lei de mercado. Se meu concorrente aumenta a margem dele, automaticamente eu vou aumentar a minha, assim como reduzo quando os outros reduzem", afirma.
O representante do Conselho Regional de Economistas (Corecon) em Londrina Laércio Rodrigues de Oliveira afirma que a concorrência é benéfica ao consumidor, porque mantém os preços baixos, mas ressalta que a fiscalização dos órgãos competentes é essencial para coibir possíveis abusos.


