Combustível deve ter nova alta em abril
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segunda-feira, 29 de março de 1999
Agência Estado 
A gasolina pode ter em abril o seu terceiro reajuste do ano. O ministro das Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, admitiu ontem a possibilidade de aumento. Ele atribuiu a medida a um repasse residual do impacto da desvalorização cambial. Desde o último aumento se tornou muito claro que ainda faltava uma parcela da desvalorização a ser repassada, afirmou o ministro, em entrevista após a posse do presidente da Petrobrás, Henri Reichstul.
O último aumento foi concedido pelo governo na primeira quinzena de março, autorizando a elevação de 11,5% nos preços cobrados pelas refinarias. Nos postos de revenda, o preço para revenda é liberado e o aumento dos custos representou, para o consumidor, reajustes que variaram entre 7,5% e 10% na bomba. A média em São Paulo ficou em 7,5%.
Em fevereiro, os combustíveis haviam subido 1,4% nas refinarias. Mas, como o reajuste correspondia a uma adequação da alíquota da Cofins, o efeito foi cumulativo e o repasse para o consumidor foi proporcionalmente maior: 4,7% em São Paulo. O resultado é que o acumulado do ano, para o consumidor chega a 12,2% de aumento no preço da gasolina.
Tourinho não informou qual parcela da desvalorização ainda falta repassar. O dólar estava cotado a R$ 1,21 quando foi iniciado o processo de maxidesvalorização, em fevereiro. O índice de desvalorização ultrapassou a marca de 50% e, apesar da queda do dólar na semana passada, que reduziu o impacto para cerca de 35%, o governo ainda teme que a defasagem no preço dos combustíveis possa comprometer as metas do ajuste fiscal.
O dólar caiu daquela época para cá mas, ao mesmo tempo, os preços internacionais do petróleo subiram e anularam um pouco este efeito, disse o ministro Tourinho. A meta da equipe econômica, anunciada no fim do ano passado durante a formalização do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) previa a arrecadação de R$ 300 milhões a R$ 450 milhões por mês com a cobrança da Parcela de Preço Específico (PPE) no preço da gasolina e do diesel nas refinarias.
Estes recursos estavam sendo repassados diretamente para o caixa do Tesouro, como reforço para o programa de ajuste. A intenção é fornecer mês a mês um resultado próximo do que se pensava, informou ontem o ministro.


