Combustível deve subir além do previsto
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terça-feira, 17 de dezembro de 1996
Agência Estado<br> do Rio de Janeiro 
Os preços dos combustíveis deverão subir hoje mais que as estimativas do governo, que esperava um aumento entre 8% e 10%. A gasolina vendida aos postos deverá subir em média 14% e o álcool 18%, podendo variar de uma distribuidora para outra. A estimativa é do Sindicato Nacional das Empresas de Combustíveis e Lubrificantes (Sindcomb), representante dos distribuidores. O aumento deverá ser repassado na íntegra aos consumidores pelos postos de gasolina. O óleo diesel, que tem seu preço tabelado, vai aumentar em São Paulo 9,8%.
O presidente da Federação Nacional dos Revenderes de Combustíveis, entidade de classe que reúne os postos, Gil Siuffo, afirmou ontem que os revendedores deverão repassar integralmente o aumento para os consumidores.
De acordo com o Sindcomb, no cálculo do índice de aumento, além da elevação de 11,4% praticada pela Petrobrás na gasolina vendida às distribuidoras, tem de se levar em conta a redução dos incentivos ao álcool feita pelo governo. Segundo o Sindicato dos Distribuidores, com a saída do subsídio dado pelo governo ao álcool anidro e a redução dos incentivos no álcool hidratado, aquele vendido diretamente nos postos, o preço de custo destes produtos subiu muito.
O álcool anidro, por exemplo, que entra em até 22% da composição da gasolina, segundo o Sindicomb, está com seu custo para os distribuidores 32% mais caro. Já o álcool hidratado, vendido diretamente nos postos, está com seu preço de custo maior em cerca de 22%. O óleo diesel, que é tabelado, varia de preço de acordo com a distância entre a refinaria onde é produzido e a cidade consumidora. Na maioria das capitais, segundo as distribuidoras, o aumento do diesel deve variar em torno de 10%.
A Sunab fará um monitoramento diário sobre os novos preços dos combustíveis a partir de hoje e repassará as informações para a Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae) do Ministério da Fazenda, e para o Departamento Nacional de Combustíveis (DNC), do Ministério de Minas e Energia. O objetivo é evitar que haja abuso no repasse ao consumidor dos aumentos de custo dos combustíveis. O governo espera, também, que a concorrência ajude a evitar exageros nos preços.
Ontem donos de postos de gasolina e o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de São Paulo (Sincopetro) denunciaram à Agência Estado que algumas distribuidoras de combustíveis teriam reduzido o volume de entrega de gasolina e álcool aos postos à espera do reajuste de preços.
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