O Brasil já teve um gasto adicional de US$ 2 bilhões com as importações de combustíveis e lubrificantes, de janeiro a outubro deste ano, devido ao aumento do preço do barril do petróleo no mercado internacional. Se não fosse a escalada de preços do produto ao longo deste ano, a situação da balança comercial seria bem mais confortável agora.
‘‘O saldo da balança comercial brasileira poderia estar superavitário no ano em no mínimo US$ 2 bilhões’’, afirmou ontem o secretário-adjunto de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Ivan Ramalho. Até a terceira semana de novembro, porém, a balança tem um déficit acumulado no ano de US$ 106 milhões.
Segundo dados divulgados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento, o País gastou nos dez primeiros meses do ano US$ 5,21 bilhões com as importações de combustíveis e lubricantes. No ano passado, quando o Brasil importou praticamente as mesmas quantidades do produto, foram gastos no mesmo período US$ 3,36 bilhões. Um crescimento de 54,9%, o maior da pauta de importações brasileiras.
Além do preço petróleo, a balança comercial sofre com os preços das commodities agrícolas, que permanecem baixos no mercado internacional. Estudo divulgado ontem pelo Ministério do Desenvolvimento mostra que, se não fossem os preços ainda baixos das principais commodities brasileiras no mercado internacional, as exportações desses produtos poderiam ser superiores cerca de US$ 2 bilhões a US$ 3 bilhões nos dez primeiros meses deste ano.
Para preparar o estudo, os técnicos da Secretaria de Comércio Exterior levaram em conta o preço médio e a quantidade exportada de 10 produtos no ano de 1997, antes do comércio internacional ter sido afetado pela crise asiática. ‘‘O balança comercial foi muito afetada pela deterioração dos preços de troca este ano’’, avaliou Ramalho. ‘‘De um lado os preços baixos das commodities, do outro o grande aumento do preço do petróleo’’, disse ele.
O estudo avaliou o preço e volume exportado do açúcar em bruto, açúcar refinado, soja em grão, farelo de soja, óleo de soja em bruto, café em grão, café solúvel, carne suína, carne bovina ‘‘in natura’’ e carne de frango. De acordo com os dados, o preço médio da tonelada da carne de frango, por exemplo, entre janeiro e outubro deste ano, chegou a US$ 885, quando em 97 era de US$ 1.363. A tonelada da carne bovina em 1997 custava em média US$ 3.827 e agora, este ano, custa US$ 2.681.
A saca do café em grão, importante produto de exportação brasileiro, tinha em 97 o preço médio de US$ 190, que caiu para US$ 100 em 2000. No mesmo período, o preço da tonelada da soja em grão despecou de US$ 294 para US$ 190. ‘‘Os preços das commodities chegaram em 2000 ao fundo do poço’’, disse Ramalho. Segundo ele, os preços devem ter recuperação no mercado internacional no próximo ano, favorecendo a balança comercial.
O aumento das importações de combustíveis e lubricantes e das compras de máterias-primas, insumos e componentes foi o principal responsável pelo déficit de US$ 523 milhões da balança em outubro, o pior resultado do ano. Juntas as importações desses produtos foram responsáveis por mais de 80% das gastos adicionais com o comércio exterior em outubro.
Somente as importações de matérias-primas, insumos e componentes responderam por 55% dessas compras adicionais com as importações. Em outubro, todas as importações brasileiras cresceram 15,7%, enquanto as exportações tiveram aumento de 7 8%. ‘‘Foi esse desequilíbrio entre importações e exportações que levou ao déficit de outubro’’, avaliou o secretário-adjunto.
Segundo Ramalho, também prejudicou a balança do mês passado o aumento das importações de bens de consumo duráveis, principalmente eletrodomésticos e veículos. ‘‘Esse aumento é sazonal em função das compras de final de ano e do lançamento de modelos novos de automóveis’’, disse. Ele destacou, no entanto, que as exportações de produtos manufaturados continuam apresentando bom desempenho, com crescimento de 12,3% em outubro aumentado para 60,6% a sua participação na pauta de exportações.
Nos dez primeiros meses do ano, as exportações de manufaturados cresceram 21,7%. ‘‘Esse é um crescimento recorde e diversificado’’, ressaltou o secretário, lembrando que esse crescimento foi obtido mesmo num cenário de aumento de apenas 1% nos preços desses produtos no mercado internacional. ‘‘Isso indica que os produtos brasileiros de maior valor agregado estão tendo maior inserção no exterior’’, disse.

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