Combustíveis terão reajuste no dia 11
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quinta-feira, 04 de março de 1999
Agência Estado 
Os preços da gasolina, gás de cozinha (GLP) e óleos combustíveis devem sofrer um aumento médio de 6,5% a partir da zero hora do dia 11 de março, em razão da desvalorização do real. O óleo diesel deverá ter um reajuste médio de 7,2%. Como já era aguardado desde a mudança na política cambial, em janeiro, o governo autorizou ontem que as refinarias passem a cobrar 11,5% a mais nos preços destes derivados de petróleo e de 20% para o querosene.
Segundo o Secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Cláudio Considera, novos aumentos poderão ocorrer caso a cotação do dólar permaneça acima de R$ 2,00. Se o dólar ficar em R$ 2,10 não vamos poder manter o subsídio ao petróleo no futuro. Ele não quis revelar qual foi a cotação do dólar usada como parâmetro para a definição do percentual de aumento.
Este reajuste se faz necessário tendo em vista a mudança no regime cambial, explicou Considera. Estávamos aguardando uma definição melhor da taxa de câmbio e ainda esperamos que esta taxa se reduza substancialmente. Ele lembrou que, em função desta expectativa, o percentual anunciado de aumento dos preços nas refinarias está longe de ser equivalente à variação cambial, que já supera 70% desde 12 de janeiro.
Caso o aumento ao consumidor fique realmente em 6,5%, o impacto direto do reajuste de ontem no índice de variação de preços da Fipe, segundo o secretário, será de apenas 0,26%. Considera admitiu que este percentual não leva em conta os efeitos no aumento de outros preços, como os de transportes públicos e de mercadorias. Como os preços dos combustíveis estão liberados na maior parte do País, desde 1996, o governo acredita que o impacto do aumento será diferenciado.
Os aumentos não têm sido repassados integralmente ao consumidor, afirmou Considera. Mas o secretário não vê motivos para que os preços dos produtos devam subir mais de 6,5%, o que representa metade do reajuste aplicado aos preços nas refinarias. Além da gasolina, o gás de cozinha já tem seus preços liberados. Para o óleo diesel, que é tabelado ao consumidor final, os preços devem aumentar 7,2% em média. Na prática, portanto, não há como ter noção real do aumento. O aumento ao consumidor é apenas uma indicação, admitiu Considera.
Este já é o segundo reajuste dos combustíveis este ano. No final de janeiro foi anunciado um aumento médio de 3,5% nos preços da gasolina em função do alteração da alíquota da Cofins sobre combustíveis. Considera ressaltou que a medida não terá influência nos preços da nafta petroquímica, cujos preços já sofreram aumento de 25 82% no dia 26 de fevereiro.
O governo decidiu aumentar os preços dos combustíveis para tentar recompor a arrecadação da Parcela de Preço Específico (PPE) sobre os preços dos derivados de petróleo, que está sendo utilizada para pagar a variação cambial do petróleo importado. Com o aumento nos combustíveis poderemos reduzir o que estamos gastando de recursos da PPE, explicou o secretário. Atualmente 40% do petróleo consumido no País é importado.
O secretário afirmou que o ajuste anunciado ontem é parcial. Para não aumentar ainda mais os preços dos combustíveis o governo continuará usando a PPE para absorver parte dos gastos com importação de petróleo. Ainda temos folga, disse Considera. Esta situação, porém, poderá ficar insustentável caso não haja uma redução na cotação da moeda americana.


