Combustíveis pressionam alta das tarifas públicas
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 14 de outubro de 2005
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O aumento nos preços dos combustíveis, ocorrido no mês passado, pressionou o aumento das tarifas públicas no mês de setembro. A variação da cesta de tarifas foi de 0,99%, elevando o índice acumulado do ano para 3,25%. Com isso, os preços administrados em Curitiba subiram mais que a inflação, que ficou em 3,20% no período. Nos últimos 12 meses, a variação e de 5,19%.
Mas no ano o que mais subiu, segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Economicos (Dieese), foi o pedágio. A tarifa da Ecovia, no trecho Curitiba ao litoral teve alta de 15,29%. Com a recuperação das tarifas por medidas judiciais, a concessionária Caminhos do Paraná já reajustou os preços do pedágio em 67,74% este ano. Segundo o Dieese, os quatro aumentos de tarifas registrados em setembro foram dos combustíveis. O maior reajuste foi do óleo diesel com alta de 9,73%. Em segundo lugar, a gasolina teve aumento de 5,29%, o álcool com alta de 4,32% e o gás de cozinha com alta de 0,92%.
O único item que teve redução de preço foi ôönibus, com queda de 0,24%. O economista do Dieese Sandro Silva acredita que para o mês de outubro, a cesta de produtos administrados pelo governo pode acusar deflação de 0,17%. Ainda haverá resíduo do aumento dos preços dos combustíveis, mas não será significativo, explicou.
Para o economista, a tendência no preço dos combustíveis é de acomodação. Na primeira semana de setembro, quando ocorreu o aumento, o litro da gasolina passou de R$ 2,20 para R$ 2,39, um aumento de 9%, acima da estimativa feita pela Petrobras de que o combustível iria aumentar no máximo até 7%. Segundo Silva, tradicionalmente os donos de postos de combustíveis aproveitam o aumento nos preços para recuperar margens de lucro. Na distribuidoras, o aumento foi de 6,15%, disse o economista.
No decorrer do mês o preço da gasolina recuou no Paraná em função da concorrência, constatou Silva. O combustível foi o quinto mais baixo do País, com preço médio de R$ 2,35 o litro. Curitiba foi a cidade paranaense que apresentou o nono lugar em margem de lucro dos postos de combustíveis, com média de 12,18%. Os postos de Londrina reajustaram os preços para R$ 2,41 em média, o que correspondeu a uma margem de lucro de 15,46%. O preço médio do álcool no Paraná, de R$ 1,311 o litro, foi o terceiro mais baixo no País, conforme o Dieese. Mesmo assim, a margem de lucro dos postos é de 27,41%.


